Chuvas de meteoros poderão ser vistas do Brasil em 2026? Entenda o fenômeno
5 Jan, 2026
O céu apresentará condições favoráveis este ano para a observação de chuvas de meteoros no Brasil. Isso porque a ocorrência destes eventos astronômicos, como as tradicionais Geminidas e Orionídeas, coincidirá com fases da Lua menos luminosa, o que garante maior escuridão e baixo risco de a luminosidade ofuscar os fenômenos.O astrônomo Marcelo De Cicco, coordenador do projeto de monitoramento de meteoros Exoss, parceiro do Observatório Nacional, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), desenvolveu um guia com as principais chuvas de meteoros esperadas para 2026.Chuva de asteroides Geminidas registrada em São Francisco de Paula (RS), em dezembro de 2025.GeminidasEntre elas, De Cicco destaca a Geminidas (referência à constelação de Gêmeos), considerada uma das mais intensas e confiáveis chuva de meteoros do calendário. O fenômeno atingirá seu pico em 14 de dezembro, quando poderá apresentar uma Taxa Horária Zenital (THZ) de 150 meteoros por hora.Este ano, a Geminidas vai ocorrer sob Lua Crescente, ou seja, com baixa iluminação - o satélite natural da Terra estará apenas 30% iluminado - o que vai garantir um céu escuro durante toda a noite. “É um evento imperdível”, afirma o astrônomo.Em linhas gerais, os meteoros são pequenos corpos gelados celestes que, ao entrar na atmosfera da Terra, queimam total ou parcialmente por conta do contato com a atmosfera.A trajetória desses pequenos grãos rochosos, quando incandescem, chegam a deixar um rastro forte e brilhante no céu. Em alguns casos podem formar até faíscas, que são as chamadas “estrelas cadentes”.Os meteoros Geminidas são partículas oriundas do asteroide 3200 Phaeton e, em meados de dezembro, a Terra sempre cruza a esteira de fragmentos deste asteroide, provocando uma taxa de 100 a 150 meteoros por hora a depender do local e condições do céu do observador. A velocidade de entrada dos fragmentos é de 35 km/s, o que é considerado um deslocamento lento.OrionídeasOutra chuva também aguardada é a Orionídeas, que ocorrerá em outubro, com pico previsto para o dia 21. E de acordo com De Cicco, a observação deste fenômeno, que está associado aos detritos do cometa Halley, também será facilitada pelo fato da Lua estar na sua fase crescente o que permite algumas horas da madrugada sem o seu brilho intenso, garantindo uma boa visibilidade do radiante na constelação de Órion.LíridasObservada em abril, a Líridas é a chuva que abre a temporada deste tipo de fenômeno e, em 2026, terá uma janela de observação favorável. Isso porque o pico da chuva ocorre dois dias antes da Lua Quarto Crescente, o que significa que o satélite da Terra se porá cedo, deixando a madrugada escura para observação. A sua THZ será de aproximadamente 18 meteoros por hora.De acordo com o astrônomo, os observadores que estão no Hemisfério Sul costumam observar menos meteoros em relação aos que estão no norte, mas a ausência da claridade da Lua permitirá captar os corpos celestes longos e brilhantes que passam pela atmosfera quando o radiante estiver favorável.Eta AquáridasA Eta Aquáridas ocorrerá em maio, porém poderá ser ofuscada pelo forte brilho da Lua, durante a época de seu pico, no dia 06, aponta o especialista. Essa chuva é, tradicionalmente, o carro-chefe do Hemisfério Sul, mas, neste ano, o seu pico ocorrerá quatro dias depois da Lua entrar na fase de cheia. Por conta disso, os meteoros mais fracos serão ofuscados. Mesmo assim, ainda será possível ver os corpos celestes mais brilhantes por câmeras de monitoramento.Chuvas que serão observadas no Hemisfério SulO astrônomo Marcelo De Cicco, em colaboração com o Observatório Nacional, explica que existem chuvas cujos radiantes são visíveis privilegiadamente ou exclusivamente do Hemisfério Sul e que a Organização Mundial de Meteoros (IMO, em inglês) precisa de dados visuais e de vídeo dessas chuvas para ampliar o escopo de conhecimentos sobre esses fenômenos.Por esse motivo, o astrônomo destaca a importância de observadores brasileiros, que podem ajudar coletando materiais sobre os eventos. Ele cita que há três chuvas que poderão ser observadas este ano no Brasil:Alpha Centaurids, com o pico em 8 de fevereiro. O radiante, próximo à estrela Alpha Centauri, ficará visível à noite quase toda e, embora tenha uma média de ZHR baixa - de 6 meteoros por hora, aproximadamente -, é possível a ocorrência de novidades, diz De Cicco. “Supresas podem ocorrer, e somos nós quem devemos monitorá-las”, disse ao citar a possibilidade de uma notável intensidade de meteoros acima do esperado.Eta Eridanids, que terá seu pico em 7 de agosto. De acordo com o astrônomo, a Organização Mundial de Meteoros recomenda a observação desta chuva, que ainda é pouco estudada. “Há uma necessidade de monitoramento da chuva para refinar seus parâmetros orbitais médios, além de melhorar o entendimento de seus fluxos meteóricos rápidos e difusos”, disse o astrônomo à reportagem.Puppid-Velids (dezembro): Um complexo sistema de meteoros visível principalmente ao sul do Equador. Sua atividade global ainda é mal definida, ela é prevista para ser vista no início de dezembro, com pico esperado no dia 7 e, segundo De Cicco, é um “aquecimento” para as Gemínidas.Chuva de asteroides Geminidas registrada na cidade de em Nova Santa Rita, em dezembro de 2025.Complexo das Tauridas - Temporada das Bolas de FogoAlém disso, o astrônomo De Cicco destaca o período entre setembro e dezembro, quando ocorrerá a chamada “temporada das bolas de fogo”, por conta do Complexo das Taurídeas, que é um dos maiores e mais extensos sistemas meteóricos do Sistema Solar interno. “Caracteriza-se por baixas taxas horárias, mas por uma alta produção de meteoros brilhantes e bólidos, além de estar associado a objetos próximos da Terra (NEOs), como ao cometa 2P/Encke”, explica Este complexo é conhecido por produzir meteoros lentos e muitos brilhantes, daí a comparação com “bolas de fogo”. Em linhas gerais, o sistema das Tauridas é formado por dois ramos principais, ambos vistos no Brasil (com leve vantagem para o hemisfério norte): Tauridas do Sul e Tauridas do Norte, ambos associados ao Cometa 2P/Encke. E em 2026, a observação do complexo será beneficiada em razão de uma combinação perfeita de fatores.Segundo Marcelo De Cicco, em novembro, a coincidência dos picos do complexo, respectivamente (Táuridas do Sul e Táuridas do Norte), dia 10 de outubro e dia 12 de Novembro, com a Lua Nova criará condições ideais para a observação de meteoros lentos e extremamente brilhantes, chegando a ser comparáveis ao brilho do planeta Vênus“Em novembro, a Lua Nova ocorre no dia 9. Isso cria um ‘corredor escuro’ perfeito entre o pico das Tauridas do Sul, que será em 10 de outubro, e das Tauridas do Norte, no dia 12 (de novembro). É um dos eventos mais fotogênicos do ano”, diz.