Venezuelanos da região ficam receosos com o futuro do país
6 Jan, 2026
Após o ataque dos Estados Unidos à Venezuela e a prisão do seu então presidente, Nicolás Maduro, a América Latina entrou em uma onda de dúvidas sobre o futuro do território. Venezuelanos que residem no Grande ABC comemoraram a queda do líder, porém ficaram receosos com as próximas decisões, visto que o caminho governista pode continuar com a vice e presidente interina, Delcy Rodríguez. O profissional de tecnologia da informação e morador de Diadema, Luís Daniel Peña, 44 anos, veio para o Brasil em 2018 com a esposa e técnica de enfermagem, Adriana de Peña, 41. Após viverem em abrigos de refugiados em Boa Vista, em Roraima, os imigrantes vieram para São Paulo. Em 2019, a mãe de Luís e vendedora, Mercedes de Peña, 66, e a tia e comerciante, Elia Garrido, 76, também vieram. A família possui o Restaurante Adriarepas em Diadema “A situação era bem ruim lá. O principal motivo da imigração foi a maior oportunidade para meus filhos. O governo começou a se apropriar de propriedades e empresas, o que gerou falta de emprego. Além de ter muita repressão em protestos, por exemplo”, comentou o profissional de TI Daniel Peña. Ainda de acordo com ele, a prisão de Maduro foi algo para se comemorar, porém, o futuro do país ainda parece incerto com pessoas da situação no poder. “Estou feliz, mas receoso ao mesmo tempo. O principal (líder) saiu, mas ainda faltam alguns. Essa intervenção dos Estados Unidos, de certa forma, foi benéfica, mas não considero que a Venezuela está 100% livre”, disse. O auxiliar geral e morador de São Bernardo, Jerwil Reyes, 26, está no Brasil há dois anos. Para ele, o povo pedia uma intervenção há anos. “A queda de Maduro foi uma das melhores coisas que aconteceram ao país. Pedíamos intervenções há anos e a prisão dele é o começo do fim. Porém, por enquanto, isso não beneficia a Venezuela em nada. As pessoas seguem com medo, porque os capangas ficaram lá”, disse. Já a educadora infantil de Santo André, Sinahiz Aguilar, 37, considerou haver precedentes perigosos. “Mesmo sendo médica pós-graduada, a situação era bem ruim, o salário era pouco. Mas acredito que você deixar que uma pessoa ingresse em um país, mesmo que esse viva em uma ditadura, pode ser muito perigoso. Dar esse poder para o Donald Trump é perigoso para a América. Contudo, acho que dá uma esperança, o começo de ter a liberdade”, completou IMIGRAÇÃO De acordo com dados do Censo 2022 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a região possui 1.256 moradores venezuelanos. (Veja na tabela) O jornalista e pesquisador especializado em movimento imigratório da Venezuela, Rodrigo Borges, explica que foi entre 2015 e 2017 que se começou a notar uma maior imigração para o Brasil. Os motivos passam pela repressão executada pelo regime e também econômicos. “O Maduro era ditador. Foi uma pessoa que reprimiu de uma forma tão pesada a ponto de colocar uma crise generalizada. A Venezuela teve uma economia pouco diversificada, focada no petróleo, então qualquer queda quebra o país”, esclareceu. Apesar de achar legítima a comemoração do povo, o especialista afirmou que os ataques ferem o direito internacional. “Não podemos ignorar que leis internacionais foram violadas. O que ocorreu foi o Donald Trump se valendo de uma brecha na legislação americana e tendo como pretexto que está combatendo o narcoterrorismo. Temos que distanciar as paixões ideológicas, porque embora o povo tenha o direito de comemorar, não sabemos em que mãos o poder vai cair. Toda a estrutura se manteve”, concluiu Borges. A Colômbia é outra nação que teme os ataques, já que o presidente Donald Trump sinalizou, no último domingo (4), uma possível ação militar no país da América do Sul. FRONTEIRA DO BRASIL Após os acontecimentos, o governo brasileiro enviou, ontem veículos blindados do Exército para a fronteira entre o País e a Venezuela. Com o reforço militar, o principal objetivo é coibir a entrada de produtos e mercadorias ilegais, impedir a circulação de foragidos venezuelanos e ampliar o controle na faixa de fronteira. LEIA TAMBÉM: "Deputados e vereadores da região comemoram queda de Nicolás Maduro"