O sucesso das empresas depende da diversidade cognitiva da equipe executiva
7 Jan, 2026
Um ambiente rico em ideias, experiência e perspectivas impulsiona a inovação e reinvenção nas organizações, aspectos fundamentais para atuar no mundo corporativo da atualidade, onde as mudanças são rápidas e os desafios cada vez mais complexos No mundo corporativo, onde as mudanças são rápidas e os desafios cada vez mais complexos, uma pergunta essencial surge: como podemos tomar decisões melhores em meio a tanta incerteza? A resposta pode estar na mesa de reuniões, mas não na estratégia mais óbvia. Está nas vozes que compõem a equipe – na diversidade cognitiva que cada pessoa traz consigo. Para compreendermos como a diversidade cognitiva pode ser o ingrediente que falta para as empresas tomarem melhores decisões, trago a definição do conceito proposto pelo jornalista, escritor e consultor de negócios britânico, Matthew Syed, em seu livro Ideias Rebeldes: A Diversidade de Pensamento Transformando Mentes. Na obra, ele destaca que a diversidade cognitiva vai além de aspectos demográficos como gênero, raça ou idade, estando mais relacionada às diferenças de perspectivas e formas de pensar, baseadas em experiências únicas, crenças e formas de interpretar o mundo. Assim, embora a diversidade demográfica seja crucial para o equilíbrio social, é a diversidade cognitiva que na maioria das vezes impulsiona a inovação e a reinvenção nas organizações, pois permite uma variedade de ideias, experiências e perspectivas. Estas, por sua vez, são responsáveis por ampliar os horizontes dos debates promovidos pelos membros da equipe executiva e abrir espaço para o surgimento de soluções “fora da caixa” e eficazes. No contexto dos debates realizados em salas de reuniões, duas batalhas costumam ocorrer: a primeira é visível, relacionada a desafios organizacionais tangíveis, como custos, estratégia, estrutura e talentos. Para solucioná-los, os profissionais utilizam seus conhecimentos técnicos e as informações disponíveis. A segunda batalha, invisível, é um pouco mais sutil, complicada, ocorre dentro de cada indivíduo e diz respeito a seus valores, crenças, insegurança e ao paradoxo de suas escolhas. Ela influencia como cada pessoa irá contribuir para a discussão. Cabe ao líder reconhecer essas duas dimensões e cultivar um ambiente que permita que ambas as batalhas sejam enfrentadas de maneira construtiva. Para tanto, ele deve ter sempre em vista que a dinâmica do poder nas empresas costuma silenciar vozes valiosas. Seja por medo de contrariar um superior ou por receio de sair da zona de conforto, algumas pessoas hesitam em expor suas opiniões. Outras, mais inclinadas a discordar, podem enfrentar resistência cultural ou até mesmo exclusão velada. Nesse sentido, líderes devem cuidar para que realmente estejam ouvindo todas as vozes da sala, mas, sobretudo, necessitam ficar atentos para como estão gerenciando as dinâmicas do poder que moldam as discussões nas salas de reuniões, redobrando o foco não apenas ao “que" está sendo dito, mas ao "por que" algumas pessoas preferem se calar. Para promover a diversidade cognitiva de forma genuína, os gestores devem criar um ambiente onde o debate respeitoso seja a norma, e não a exceção. Isso requer, entre outras ações: reconhecer e valorizar a coragem de quem se posiciona; convidar as vozes mais tímidas a contribuir; e garantir que o "ruído" da conformidade ou do medo de confrontar não sufoque ideias inovadoras. A diversidade cognitiva não é apenas um ideal a ser perseguido. Trata-se de um imperativo estratégico para lidar com os desafios do mundo atual. Em tempos de incerteza, ela traz mais do que inovação; oferece resiliência. Afinal, empresas que integram diferentes formas de pensar são aquelas que conseguem se reinventar e prosperar em qualquer cenário. Antonio Carlos Matos da Silva é estrategista, especialista em acesso à saúde e inovação - autor do livro Equilíbrio, Estrutura e Estratégia - Como a Arte do Vinho Pode Inspirar a Gestão Empresarial. Mestre em farmácia, possui MBA em administração e marketing. Tem uma extensa carreira em grandes empresas farmacêuticas, entre as quais Roche e GlaxoSmithKline(GSK)