Paquistanês diz que Irã o forçou a participar de plano para matar Trump
5 Mar, 2026
Um paquistanês suspeito de planejar o assassinato do presidente Donald Trump disse ontem que não trabalhou voluntariamente com a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã para arquitetar o plano. A informação é do jornal The New York Times. O que aconteceu Asif Merchant é julgado no Tribunal Distrital Federal do Brooklyn por terrorismo e tentativa de homicídio. Ele disse aos jurados que foi forçado a participar do plano para proteger sua família em Teerã da Guarda Revolucionária. O Departamento de Justiça acusa Merchant de tentar recrutar pessoas nos Estados Unidos para matar Trump e outros políticos americanos. O plano seria uma retaliação à morte do general iraniano Qassem Soleimani em janeiro de 2020, no primeiro mandato de Trump. Os procuradores federais rejeitaram a alegação de Merchant de que teria sido forçado a participar do plano. Um dia antes de o paquistanês apresentar sua defesa, os procuradores enviaram um documento ao juiz do caso citando uma "falta de provas que sustentem uma verdadeira coação ou coerção". Merchant alegou que nunca recebeu ordens para matar uma pessoa específica, mas que seu contato iraniano mencionou três nomes. Além de Trump, Joe Biden, o presidente na época, e Nikki Haley, ex-governadora da Carolina do Sul, foram os alvos citados durante conversas em Teerã, capital do Irã. O julgamento de Merchant começou na semana passada, dias antes de Trump ordenar ataques ao Irã, realizados em conjunto com Israel. A ação coordenada, iniciada na madrugada do último sábado, matou importantes líderes iranianos, entre eles o aiatolá Ali Khamenei. Relembre o caso O paquistanês Asif Merchantfoi preso em 12 de julho de 2024, quando já planejava deixar os EUA . Merchant foi detido um dia antes do comício onde Donald Trump sofreu um atentado, na Pensilvânia. Os investigadores disseram que não encontraram nenhuma relação entre agentes estrangeiros e Thomas Crooks, jovem que tentou matar o candidato republicano. O paquistanês teria chegado aos EUA em abril daquele ano, após passar um tempo no Irã. A investigação aponta que ele contatou uma pessoa para ajudá-lo no planejamento do assassinato, mas esse possível parceiro denunciou a ideia para autoridades policiais e se tornou um agente disfarçado. Merchant teria dito ao suposto parceiro que ofereceria trabalhos para ele mais de uma vez e fez um sinal de "arma" com os dedos, indicando que a conversa teria relação com assassinato. Segundo o Departamento de Justiça, o paquistanês, então, pediu para o contato localizar outras pessoas interessadas em participar do plano. O planejamento continha as seguintes etapas: roubar documentos da casa de um alvo; planejar um protesto; e matar um político ou funcionário do governo. O assassinato ocorreria quando Merchant já estivesse fora dos EUA. O paquistanês se comunicaria com os parceiros do crime usando palavras-código. Em junho, Asif Merchant se encontrou com os supostos assassinos em Nova York, que eram, na verdade, agentes disfarçados. Eles receberiam instruções sobre quem matar na última semana de agosto ou na primeira de setembro, quando o paquistanês já teria deixado os EUA. O Departamento de Justiça diz que, dias depois, o suspeito entregou US$ 5 mil (cerca de R$ 28,2 mil na época) aos supostos parceiros como adiantamento. Merchant teria contado com a ajuda financeira de uma outra pessoa, no exterior. Merchant tem "laços estreitos" com o Irã, disse na época o diretor do FBI, Christopher Wray. "Um plano estrangeiro para matar um funcionário público, ou qualquer cidadão dos EUA, é uma ameaça à nossa segurança nacional e será enfrentado com todo o poder e recursos do FBI."