LG investe em fábrica de R$ 1,5 bilhão no PR para entrar na disputa das geladeiras
7 Jan, 2026
Enquanto na feira de tecnologia CES , em Las Vegas, a sul-coreana LG exibe TVs ultrafinas e robôs que prometem dobrar roupas, a principal aposta para o Brasil neste ano está no chão de fábrica. A empresa detalhou em evento nesta terça-feira (6) a nova planta de eletrodomésticos de linha branca que inaugurará em julho em Fazenda Rio Grande (PR), na região metropolitana de Curitiba, com investimento de R$ 1,5 bilhão e foco inicial na produção de geladeiras. Com 770 mil metros quadrados, a unidade começa com capacidade para fabricar até 500 mil refrigeradores por ano e deve gerar cerca de 500 empregos diretos. A partir de 2027, o plano é iniciar a produção de máquinas lava e seca, apostando em um segmento disputado principalmente entre Brastemp e Electrolux. Segundo dados da GfK, o mercado brasileiro de eletrodomésticos movimenta R$ 28,5 bilhões por ano, com vendas anuais de cerca de 4,8 milhões de geladeiras e 7,2 milhões de máquinas de lavar. A meta da empresa é alcançar 20% de participação no segmento de refrigeradores nos próximos anos. "Hoje tudo o que vendemos de geladeira é importado. Quando passamos a produzir aqui, ficamos mais competitivos e conseguimos adaptar o produto ao consumidor brasileiro", afirma Rodrigo Fiani, vice-presidente de vendas da LG Brasil. A decisão pelo Paraná levou em conta logística e cadeia de suprimentos —as principais concorrentes têm fábricas na região Sul. A proximidade com fornecedores e incentivos estaduais também pesaram na escolha, segundo o executivo. Mais do que reduzir custos, a LG também quer usar a produção local para ajustar detalhes do produto ao gosto do consumidor brasileiro, alterando o interior dos produtos sem mexer na tecnologia. "Aqui você tem 110V e 220V, várias cores, capacidades diferentes. Nosso produto vai ser bivolt, o que é essencial para o varejo", disse. "São detalhes, mas o brasileiro se incomoda com caixinha de ovo e forma de gelo soltas, com o freezer que abre de um jeito específico. A gente passou quase um ano pesquisando o consumidor antes de lançar." "Não adianta só produzir um produto em massa e jogar ele no mercado. Tem que entender o consumidor, como é que ele pensa, para que caminho ele vai, o que ele quer fazer", afirma Fiani. Até agora, a presença da LG em geladeiras no Brasil tem sido restrita a modelos importados mais avançados, com preços a partir de cerca de R$ 3.000 no site da marca. Os produtos nacionais devem ocupar um patamar intermediário para cima, segundo a empresa, com preços mais competitivos, embora ainda não tenha fornecido detalhes. A aposta industrial marca também um reposicionamento da marca no país. Embora globalmente seja forte em linha branca, a LG é mais associada no Brasil a TV e ar-condicionado. A empresa já tem uma fábrica em Manaus, onde produz televisores, monitores e climatização, e encerrou no passado a produção de celulares em Taubaté (SP). A nova planta, segundo Fiani, não foi pensada para exportação regional e poderia ter sido construída em países como Vietnã e Índia antes da escolha do Brasil. O movimento acontece em um cenário macroeconômico incerto, com a taxa básica de juros em 15% e projeções de crescimento do PIB próximas de 2%. A empresa diz apostar no potencial estrutural do mercado brasileiro e projeta crescer 12% em 2026 e 15% em 2027. Para este ano, a LG espera um impulso sazonal nas vendas de televisores por causa da Copa do Mundo, com alta estimada de 30% no segmento. Na sequência, deve entrar o efeito do início das operações da fábrica. A estratégia combina escala industrial, serviços de instalação e pós-venda e uma tentativa de democratizar recursos tecnológicos sem empurrar os produtos para um nicho de preço mais alto. Além do varejo doméstico, a LG quer acelerar o crescimento no segmento corporativo. Hoje, a divisão B2B responde por algo entre 15% e 20% do faturamento da empresa no país, com foco em painéis de LED e sistemas de refrigeração. A meta é chegar a 50% no médio prazo. "Se a gente não apostasse aqui, não estaria construindo uma fábrica de R$ 1,5 bilhão", disse Fiani.