Dupla Calderano e Takahashi não surgiu só por amor: ‘Fazia sentido os dois melhores juntos’

admin
6 Mar, 2026
O abraço apertado entre Hugo Calderano e Bruna Takahashi após o título do Smash de Singapura não foi apenas a celebração de uma dupla de mesatenistas, mas um gesto de carinho entre um casal. Oficialmente namorados desde 2024, o paulista e a carioca decidiram firmar parceria também nas competições após os Jogos Olímpicos de Paris, no final do mesmo ano em que começaram o relacionamento.Embora atrelada à relação entre os dois, a decisão de jogar lado a lado foi tomada principalmente em razão do momento vivido por ambos. Ela tem se mantido como a melhor mesatenista brasileira em simples no ranking da World Table Tennis (WTT), consistente no top 20 desde 2022. Ele é o grande astro da modalidade no País e o melhor não asiático, frequentando o top 10 desde 2018. “Quando a gente se tornou um casal foi um pouco mais fácil”, diz Takahashi ao Estadão. “A ideia vinha na minha na cabeça, mas eu acho que foi também a partir do momento que meu nível do individual cresceu bastante. A gente tinha na cabeça que poderia ter uma chance de ter algum bom resultado no futuro.”Hugo Calderano e Bruna Takahashi foram campeões do Smash de Singapura.“Eu focava só no individual, a achava que não tinha tanta chance de medalha, de brigar com as melhores duplas”, acrescenta Calderano. “Nós dois melhoramos bastante e fazia sentido, até para o Brasil, ter os dois melhores, do masculino e feminino. Dois que estão no top 20, entre os melhores do mundo, jogando dupla juntos.”A dupla já participou de competições em outras ocasiões, muito antes de se tornarem namorados. Atuaram lado a lado pela primeira vez em 2014, ainda no juvenil, e repetiram a parceria em 2019. O desempenho de sete anos atrás foi “mais ou menos”, nas palavras do próprio Hugo. Fortalecidos pela evolução como atletas e pelo companheirismo, consolidaram-se rapidamente como uma dupla competitiva no período de pouco mais de um ano desde que reeditaram a parceria nas competições, a partir 2024. A rotina do casal quase não mudou, tampouco sofreu maiores impactos, até porque já viajavam juntos para os mesmos campeonatos.“Quando você está jogando, competindo junto, às vezes com os nervos da flor da pele, pode ter uma tensão um pouquinho maior na hora, mas nunca aconteceu nada que pudesse afetar o nosso relacionamento. Até agora, foi tudo bem bem tranquilo. A gente está sabendo separar muito bem as coisas, o jogo da nossa da vida pessoal, da rotina do dia a dia”, diz Calderano. Hugo Calderano e Bruna Takahashi foram campeões do Smash de Singapura.Nova chance de medalha olímpicaAqueles que duvidavam ser capazes de competir contra as duplas das potencias asiáticas são, hoje, os primeiros campeões não chineses do Smash de Singapura, cujo formato surgiu inspirado nos Grand Slams do tênis. Inclusive, existem mais três Smashs, disputados em Estados Unidos, Suécia e China. Disputado anualmente desde 2022, o torneio de Singapura só havia sido vencido por duas duplas chinesas diferentes: Wang Chuqin e China Sun Yingsha (2022, 2023 e 2024) e Lin Shidong e Kuai Man (2025). Na hierarquia da modalidade os Smashs, pensados em dentro de uma lógica mais midiático, estão atrás dos Mundiais e das Copas do Mundo.“A China domina muito o tênis de mesa em geral, e às vezes até mais na categoria de duplas, então a gente tem noção sim da da grandeza do nosso feito”, comenta Calderano. “Os asiáticos costumam treinar bastante nas duplas. Isso não acontece tanto na Europa ou em outros países. Mas é bom entrar nesse nesse mundo das duplas.”Expandir a força do tênis de mesa brasileiro para as duplas é um caminho que amplia a chance da tão sonhada medalha inédita em jogos Olímpicos. Agora ocupantes da 4a colocação no ranking mundial de duplistas, o casal já pode começar a pensar em buscar pódio em Los Angeles-2028. O caminho, inclusive, é mais curto, pois a disputa olímpica de duplas começa nas oitavas de final. Na final em Singapura, os brasileiros venceram os sul-coreanos Lim Jonghoon e Shin Yubin, medalhistas olímpicos de bronze e dupla número 1 do mundo, para os quais já haviam perdido duas vezes anteriormente. Também passaram pela dupla de Hong Kong, Wong Chun Ting e Doo Hoi Kem, quatro vezes medalhistas mundiais.“Durante todo esse tempo em que estamos jogando juntos, a gente jogou contra duplas fortes”, diz Takahashi. “Com certeza, a gente vê uma pequena chance ali (em Olimpíadas). Não gostamos de colocar expectativa lá em cima. A gente sempre foi de pouco em pouco, passo a passo, mas com certeza a gente acha que tem uma chance de conseguir uma medalha e de ir super bem.”Hugo Calderano e Bruna Takahashi foram campeões do Smash de Singapura.Lágrimas ficaram para trásA prioridade de ambos, de qualquer forma, ainda é a busca pelo pódio em simples, com o qual Calderano flertou nos Jogos de Paris, quando perdeu o bronze para o francês Felix Lebrun. A frustração foi grande, e a imagem do carioca chorando ao perder a medalha foi umas das mais emblemáticas daquela Olimpíada. Ele juntou os cacos e continuou a evolução no esporte dominado por asiáticos, até se tornar o número 2 do mundo no ano passado, no qual venceu a Copa do Mundo e foi vice no Mundial. Atualmente, está em quarto lugar. “Depois de Paris, eu cheguei a me sentir bem pesado assim, mas, ao mesmo tempo, na vida, sempre consegui manter essa essa essa leveza. Eu acho que eu sempre consegui separar as minhas sensações no esporte da vida, por mais que tudo esteja bem conectado”, reflete.Takahashi viveu experiências parecidas, a exemplo da perda do ouro do Pan-Americano de 2023, quando as lágrimas também foram protagonistas. Como o companheiro, soube se reerguer e, em 2025, alcançou o melhor ranking da carreira, em 16o lugar. Ter Hugo ao seu lado, inclusive, foi importante no processo de não se deixar abalar.“A gente sempre passa por situações, mais pesadas, difíceis de de conseguir seguir em frente, mas, no fundo a gente sabe que somos muito fortes e que é temporário. No Pan, minha irmã me ajudou muito”, diz a paulista. “E o Hugo sempre me apoiou em todos os momentos difíceis da minha carreira desde que a gente começou a namorar. Isso me traz uma rede de apoio. Eu sei que vai ficar tudo bem mais para frente”.