ONGs pedem à Justiça que barre a perfuração da Petrobras na foz do Amazonas

admin
7 Jan, 2026
Organizações ambientais e movimentos sociais pediram à Justiça do Amapá que suspenda a perfuração de poços de petróleo na bacia da foz do Amazonas, na Marguem Equatorial Brasileira , pela Petrobras. O pedido se deve ao vazamento de um fluido durante a exploração do poço de Morpho, a 175 quilômetros da costa do Amapá, no último domingo (4). O que aconteceu O pedido invoca o "princípio da precaução" contra um dano ambiental irreversível. A ONGs protocolaram um pedido de tutela antecipada junto a uma ação civil pública já aberta que pede a anulação da licença da Petrobras para perfurar na região. Uma tutela antecipada permite ao juiz adiantar a decisão em um processo em tramitação. O vazamento jogou 15 mil litros de fluido de perfuração no mar, segundo as organizações. O vazamento prova que as garantias de segurança de exploração de petróleo na Foz do Amazonas são insuficientes, dizem no processo o Instituto Arayara, Greenpeace Brasil, WWF-Brasil, Observatório do Clima e articulações indígenas e quilombolas. A Petrobras minimizou o episódio. Ela afirma que o vazamento é comum e que o fluido de perfuração é biodegradável, sem impacto ao meio ambiente. Ainda assim, a exploração do bloco FZA-M-59 foi interrompida, e só deve ser retomada em 15 dias. As organizações rebatem ao afirmar que o fluido mistura produtos químicos e gases com impacto ambiental. O acidente, dizem as ONGs, confirmaria as estatísticas: entre 1975 e 2014, mais de 95% dos acidentes em plataformas ocorreram em águas profundas, como as da Margem Equatorial. A ação civil pública critica o Estudo de Impacto Ambiental apresentado pela estatal. Utilizado para liberar a atividade, o documento não prevê respostas adequadas a emergências em uma região de correntes marítimas fortes, afirmam as organizações. Elas afirmam ainda que a estatal não consultou os povos indígenas e quilombolas da região, uma exigência da lei para empreendimentos com potencial impacto sobre seus territórios. A decisão caberá à 1a Vara Federal Cível do Amapá. Risco ambiental Ambientalistas temem que a exploração de petróleo na região afete o meio ambiente. Veja os principais riscos: Recifes de Corais e Manguezais: A região abriga um dos maiores recifes de corais do mundo e o maior manguezal do planeta, que podem ser prejudicados por sedimentos ou vazamento de óleo. Comunidades Indígenas e Ribeirinhas: A exploração ameaça povos como Karipuna, Palikur-Arukwayene e Galibi Marworno, que dependem da pesca e dos recursos marinhos para sobreviver Fauna Marinha: Vazamentos podem causar a morte de peixes, tartarugas e mamíferos marinhos, além de comprometer a base da cadeia alimentar (plâncton). * Com Agência Estado