Setor produtivo defende autonomia do Banco Central no caso Master
7 Jan, 2026
A União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (Unecs) e a frente parlamentar do setor manifestaram preocupação com iniciativas que “representem ou sinalizem intervenção externa nas atribuições legais, técnicas e regulatórias do Banco Central do Brasil, especialmente no âmbito de processos de supervisão e resolução do sistema financeiro”. A entidade, que representa oito grandes blocos empresariais do país, colocou-se ao lado de entidades representativas do sistema financeiro nacional que também reafirmaram “total confiança” na atuação técnica do Banco Central. A reação está relacionada à decisão do Tribunal de Contas da União de inspecionar o BC para apurar se houve omissão no caso Master e as condições da liquidação do banco. Impacto sobre atividades econômicas O manifesto da Unecs e da frente parlamentar do Comércio e Serviços do Congresso Nacional destaca que processos de liquidação extrajudicial, por sua própria natureza, envolvem medidas complexas, muitas vezes de difícil reversão: “justamente para preservar o valor dos ativos, proteger o sistema financeiro e evitar efeitos adversos em cadeia.” “A fragilização dessas decisões técnicas pode estabelecer precedente institucional preocupante, com impactos diretos sobre o crédito, o investimento, o emprego e a atividade econômica”, afirma o bloco que representa a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), a Abras (supermercados), Abad (atacadistas), Abrasel (bares e restaurantes) entre outras grandes associações empresariais. Micro e pequenas empresas A Confederação das Associações Comerciais do Brasil (CACB) engrossou o coro. Afirmou que a autonomia e a independência técnica do Banco Central é condição essencial para a estabilidade econômica e a sobrevivência das micro, pequenas e médias empresas. A Confederação apoia a atuação do BC. Reforçou que previsibilidade da política monetária, com controle da inflação e menor volatilidade dos juros, é fundamental para o planejamento, o acesso ao crédito e a manutenção do consumo. “Enfraquecer a autonomia do Banco Central amplia a incerteza e penaliza de forma mais severa os pequenos negócios. Preservá-la, com transparência e responsabilidade institucional, é proteger empregos, empreendedores e a base produtiva do país”, frisou o presidente da CACB, Alfredo Cotait Neto. Fonte: Samanta Sallum/Correio Braziliense*