Indústria sofre com falta de mão de obra qualificada
7 Mar, 2026
A indústria brasileira enfrenta dificuldade crescente para contratar trabalhadores qualificados, apesar de a taxa de desemprego ter atingido a mínima histórica, de 5,1% no trimestre encerrado em dezembro de 2025, segundo a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, divulgada no início de 2026. Em janeiro, a taxa ficou em 5,4%. Dados da Sondagem Industrial da CNI (Confederação Nacional da Indústria) mostram que a escassez de mão de obra é hoje o 4o principal problema do setor, atrás apenas de carga tributária, juros elevados e demanda interna insuficiente. Isso limita a expansão da produção e a competitividade do país. Eis a íntegra (PDF – 4MB). No 4o trimestre de 2025, a Sondagem Industrial da CNI mostrou que 23,1% dos empresários citaram a falta de trabalhador qualificado como um dos principais entraves nos negócios. No 1o trimestre de 2020, antes da pandemia, o percentual era de 3,9%. A percepção se intensificou nos últimos 5 anos. Em 2025, o indicador atingiu o maior nível da série histórica iniciada em 2015. Entre pequenas empresas, o percentual chega a 28,4%, o 2o maior problema do ranking. O gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, afirma que a baixa produtividade histórica do Brasil está ligada à qualificação insuficiente. “É um problema antigo que se tornou mais grave no momento atual. A indústria esbarra na dificuldade de contratar trabalhadores preparados” , declara. Segundo ele, em momentos de expansão, a indústria enfrenta gargalos para repor quadros técnicos. “As empresas investem em capacitação, mas encontram deficiência na educação básica. Isso encarece o processo e dificulta manter a produtividade” , diz. O Mapa do Trabalho Industrial, elaborado pelo Observatório Nacional da Indústria, aponta que o país precisa qualificar aproximadamente 14 milhões de profissionais entre 2025 e 2027. Desse total, 2,2 milhões serão novos trabalhadores e 11,8 milhões exigirão requalificação. Logística e Transporte, Construção, Operação Industrial, Manutenção e Metalmecânica lideram a demanda por formação. Segundo a CNI, 3 em cada 5 trabalhadores da indústria precisarão de treinamento nos próximos anos. Para Sérvulo Mendonça, chairman da Holding SM, a taxa oficial de desemprego não capta a qualidade da ocupação. “É possível ter desemprego baixo e escassez de mão de obra qualificada ao mesmo tempo” , afirma. Segundo ele, empresas só ampliam investimento em capital humano com previsibilidade regulatória. A combinação de desemprego reduzido, informalidade elevada e desalinhamento entre formação e demanda produtiva impõe um desafio estrutural. Sem avanço na qualificação, a indústria tende a perder espaço em setores de maior valor agregado.