Eduardo Leite diz que legado de Bolsonaro foi trazer Lula de volta
9 Mar, 2026
O governador do Rio Grande do Sul e pré-candidato à Presidência da República, Eduardo Leite (PSD), criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro nesta segunda-feira, 9, durante palestra na Associação Comercial de São Paulo. Para Leite, o legado do capitão reformado foi trazer Lula de volta ao Palácio do Planalto. Ele falou aos líderes de entidades comerciais e empresários ao lado dos demais pré-candidatos do PSD, os governadores Ratinho Júnior (Paraná) e Ronaldo Caiado (Goiás). Também compareceu o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab , e o secretário extraordinário de Projetos Estratégicos de São Paulo, Guilherme Afif Domingos (PSD). "O legado de Bolsonaro foi trazer Lula, que estava politicamente inviabilizado, de volta", disse o governador gaúcho. "Talvez o de Lula, se insistir na agenda de dividir, seja trazer o outro lado do grupo político de volta", afirmou referindo-se ao crescimento do senador e filho do ex-presidente, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nas pesquisas eleitorais. Leite afirmou ainda que os levantamentos devem ser "menos vistos" pela intenção de votos e mais pelo "sentimento" do eleitor brasileiro. Ele acrescentou que as pesquisas mostram que "os dois principais protagonistas" da eleição também são altamente rejeitados e há espaço para o surgimento de "uma candidatura nova". "A intenção de votos reproduz aquilo que o eleitor conhece. E conhece o nome de uma família que tem uma marca, conhece o atual presidente, que vai para sua sétima eleição", continuou o governador do Rio Grande do Sul. "É natural que eles tenham hoje liderança. Os eleitores não conhecem o cardápio público que vai ser colocado a eles no processo eleitoral." Leite afirmou que é possível dialogar simultaneamente com uma esquerda não lulista e uma direita não bolsonarista. Segundo ele, diferentemente do que ocorria no passado - quando a divisão entre esquerda e direita se dava principalmente a partir da visão sobre o papel do Estado na economia, se mais ou menos estatizante -, hoje os eleitores tendem a se posicionar a partir de determinadas causas e bandeiras. Na avaliação dele, essas pautas não são inconciliáveis. O político argumentou que há, nesse campo da esquerda não lulista, uma preocupação legítima com políticas culturais, respeito à diversidade e inclusão, o que não impediria a aproximação com uma direita não bolsonarista que defende segurança pública mais firme, um Estado mais enxuto e maior valorização do empreendedorismo. O chefe do Executivo gaúcho listou algumas das pautas que defenderá nas eleições deste ano, caso seja o candidato do partido, como a defesa de que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) deveriam ter idade mínima de 60 anos para assumir o cargo. Ele afirmou ainda que políticas sociais não se sustentam caso o Estado amplie gastos sem que haja crescimento econômico capaz de financiá-las. De acordo com Leite, o aumento das despesas públicas sem expansão da economia tende a gerar endividamento e juros mais altos, drenando recursos que poderiam ser direcionados a investimentos privados. Ratinho Júnior criticou a polarização e defendeu industrialização do agronegócio. Segundo o governador do Paraná, na atual disputa ideológica, muitas das pessoas que defendem um lado ou outro nem sequer sabem exatamente o que cada posição representa. "Mais do que discutir ideologia, eu discuto valores. Eu sou a favor da liberdade de imprensa, da liberdade de expressão, sou a favor da liberdade econômica, eu defendo a propriedade privada, eu sou a favor da família", disse Ratinho Jr. "Eu defendo valores, mais do que direita ou esquerda, para frente ou para trás." Segundo ele, embora o País seja uma grande potência agrícola, continua atuando principalmente como produtor de commodities, sem industrializar adequadamente o setor. De acordo com o governador, atualmente o agricultor brasileiro depende das oscilações da Bolsa de Chicago. Ele destacou que o produtor acorda cedo para plantar soja e milho, mas acaba sendo obrigado a vender sua produção independentemente do preço de mercado, justamente porque o Brasil não estruturou um plano de Estado que permita armazenar a produção e comercializá-la em momentos mais favoráveis. "No Brasil, hoje, nós fazemos um extrativismo agrícola. Mas nós temos oportunidades de transformar o Brasil num grande supermercado do mundo", continuou o governador paranaense. "O mundo precisa aumentar em 20% a sua capacidade de produção alimentícia para conseguir dar conta do crescimento populacional nos próximos dez anos. E, no curto prazo, 80% de toda essa produção do mundo vai ser na América Latina." No evento, Caiado, que não efetivou a migração oficial para PSD , defendeu o presidencialismo. Segundo o goiano, o próximo presidente do Brasil deve "saber definir o que é presidencialismo" e que o chefe do Executivo deve ter "autoridade" para aplicar o plano de governo. "Já houve duas consultas sobre o semipresidencialismo, e por duas oportunidades o brasileiro colocou que quer manter o presidencialismo", afirmou o governador de Goiás. "Não cabe ao governo usar ali o seu poder discricionário para aplicar. Não se governa assim. Quem apresentou plano de governo foi o presidente da República, foi o governador do Estado, foi o prefeito. E quem tem o poder discricionário é o presidente da República." Caiado também criticou diretamente o presidente Lula. Ele disse que o petista deve tentar atribuir ao preço do petróleo a responsabilidade pelo aumento do endividamento público. Segundo ele, o País vive um momento econômico delicado, marcado pela elevação da dívida e pelo aumento do custo de financiamento. O governador também afirmou que diferentes setores da economia enfrentam dificuldades financeiras. De acordo com ele, o setor rural vive uma situação difícil, tendo que renegociar dívidas a taxas que variam entre 18% e 22% ao ano. Além das críticas à condução econômica, Caiado afirmou que criminalidade e corrupção teriam sido os pontos mais cresceram durante os "cinco mandatos do presidente Lula", período que, segundo ele, soma cerca de duas décadas de governos do PT desde a redemocratização. O petista governou entre 2003 e 2010 e sua sucessora, Dilma Rousseff, entre 2011 e 2016. O terceiro mandato de Lula teve início em 2023.