Justiça manda soltar presidente da UPBus, acusada de ligação com PCC
9 Jan, 2026
A Justiça de São Paulo decidiu revogar a prisão do presidente afastado da empresa de ônibus UPBus, Ubiratan Antonio da Cunha . Ele é réu na ação que julga a suspeita de que a empresa integra um esquema de lavagem de dinheiro da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) investigado na operação Fim da Linha . A decisão ocorreu após uma audiência do caso nesta quinta-feira (8). Ubiratan havia sido preso pela última vez em abril do ano passado, após se entregar no 50o DP (Itaim Paulista), na zona leste da capital paulista. Naquela ocasião, a Justiça entendeu que ele havia descumprido uma ordem para se manter longe da empresa. Ele teria sido filmado em frente à garagem da UPBus. Ele se declara inocente das acusações de lavagem de dinheiro e organização criminosa, e a defesa dele alega que a medida cautelar não havia sido descumprida. Ubiratan também foi preso em duas ocasiões anteriores, em 2024, por descumprimento de ordens para que ele se afastasse da direção da empresa. A notícia da soltura foi publicada inicialmente pelo UOL e confirmada pela Folha . O Ministério Público de São Paulo, responsável pela acusação contra a UPBus —assim como contra a Transwolff , que também é alvo da Fim da Linha—, afirmou que vai recorrer da decisão. O advogado de Ubiratan, Anderson Minichillo, afirma que a soltura dele é esperada para esta sexta-feira (9). A decisão de soltura também se estende a Alexandre Salles Brito, o Buiu , e ao advogado Ahmed Hassan Saleh , sócios da UPBus, segundo informações repassadas à reportagem pela defesa. Saleh deve permanecer preso, uma vez que ele também foi alvo de mandado de prisão por suspeita de envolvimento num caso de corrupção policial conectado à morte do delator Antônio Vinícius Lopes Gritzbach , fuzilado no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, em novembro de 2024. As investigações do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado ) do Ministério Público de São Paulo apontam que membros do PCC colocaram dinheiro e veículos na UPBus para que a empresa conseguisse participar de uma licitação para o transporte coletivo paulista que exigia um valor mínimo de R$ 19 milhões. Segundo Minichillo, o juiz do caso —Antonio Carlos Costa Pessoa Martins, da 1a Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital— também pediu uma perícia contábil na UPBus para checar a acusação de entrada de dinheiro ligada ao crime organizado na empresa. O caso tramita em segredo de Justiça e a decisão de soltura ainda não foi publicada em diário oficial. "Ubiratan foi preso por uma mentira. É mentira que ele violou a medida cautelar", afirmou o advogado. "Estou sofrendo uma acusação de lavagem de dinheiro e organização criminosa que nunca existiu", disse Ubiratan num vídeo que gravou na noite em que se entregou, em abril do ano passado. "Em nenhum momento eu interferi na empresa."