Inflação: confira dez gráficos com os destaques do IPCA em 2025
10 Jan, 2026
O esperado resultado final da inflação brasileira em 2025 agora é conhecido. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,33% em dezembro e com isso fechou o ano passado com alta de 4,26%. É a menor taxa anual desde 2018 (3,75%) e também o quinto menor resultado desde o Plano Real, segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número significa também que o IPCA voltou a ficar abaixo do teto da meta de inflação perseguida pelo Banco Central (BC). A meta é de 3% em 12 meses, com intervalo de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Em 2025, entrou em vigor o novo sistema de meta de inflação, que passou a ser contínua e não mais anual. Em 2024, o IPCA tinha fechado em 4,83% e ultrapassado o teto da meta (4,50%). Mas quais são os destaques na evolução dos preços em 2025? O ano foi marcado por uma inflação pressionada por serviços – cuja alta de preços foi superior à do IPCA geral –, pelos custos com energia elétrica e por desaceleração da alta dos preços de alimentos. Os itens com maior peso na cesta de consumo das famílias foram favorecidos por safra recorde, dólar em queda e recuo nos preços de algumas commodities. Confira a seguir dez gráficos para entender melhor a inflação no ano passado: Inflação mês a mês em 2025 A inflação brasileira começou em 2025 com taxa baixa em janeiro (0,16%), mas logo ultrapassou a marca de 1% (1,31% em fevereiro). Estas duas taxas foram, respectivamente, a mais baixa e a mais alta das variações mensais. Das doze taxas mensais, apenas uma foi de queda (-0,11% em agosto). Série histórica do IPCA A alta de 4,26% do IPCA em 2025 foi a menor em oito anos, desde 2018 (3,75%). Foi também o quinto menor resultado desde o Plano Real. Desde 2015, o resultado do IPCA ficou acima do teto da meta de inflação perseguida pelo Banco Central (BC) em cinco anos. A última vez que isso ocorreu foi em 2024, quando o teto da meta era de 4,75%, mas o IPCA subiu 4,83%. Classes de despesas Seis das nove classes de despesas tiveram alta de preços menor em 2025 que em 2024. Apenas um entre esses nove grupos registrou deflação no ano passado (artigos de residência). A maior influência na alta dos preços foi em habitação, puxada pelo custo da energia elétrica. Embora classe com maior peso no orçamento das famílias e no cálculo do IPCA, alimentação e bebidas registrou alta de 2,95% e foi apenas o terceiro impacto no resultado do ano. Alimentação e bebidas A alta de 2,95% dos preços de alimentação e bebidas em 2025 foi a oitava menor para o grupo desde 1995, ano seguinte do Plano Real. O número representa forte desaceleração ante 2024, quando subiu 7,69%. O gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, citou safra recorde, dólar em queda e preços de commodities também em recuo como principais influências para o aumento pequeno de alimentação e bebidas em 2025. Alimentos com recuo Itens importantes na cesta de consumo das famílias estão na lista daqueles com maior influência para baixo no IPCA de 2025, como arroz, feijão e batata-inglesa. Maiores altas do IPCA A energia elétrica foi a principal pressão para cima na inflação brasileira em 2025. O aumento de preço foi de 12,31%, com impacto de 0,48 ponto percentual, ou 11,26% da taxa de 4,26% do IPCA no ano. O resultado reflete as bandeiras tarifárias – com maior ocorrência de meses com bandeira vermelha e amarela – e também os reajustes de tarifas, segundo o gerente do IBGE Fernando Gonçalves. Maiores quedas do IPCA Do lado das quedas, o arroz também aparece como o item que mais pressionou para baixo o IPCA de 2025. Nesse ranking que considera todos os 377 subitens do IPCA – tanto alimentícios quanto não alimentícios –, também aparecem aparelho telefônico, eletrodomésticos e automóvel usado. Alimentícios X não alimentícios Os dados do IBGE mostram uma evolução muito diferente entre os preços de produtos alimentícios e aqueles que não são alimentícios. Inflação de serviços A inflação de serviços acelerou de 4,78% em 2024 para 6,01% em 2025, a maior taxa desde 2023 (6,22%). O resultado do ano passado também foi 1,75 ponto percentual acima do IPCA cheio, que fechou 2025 em 4,26%. A aceleração reflete pressão de demanda em alguns itens, segundo o gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, que citou passagens aéreas, transporte por aplicativo e empregado doméstico, entre outros exemplos. Inflação de monitorados A inflação de monitorados subiu 5,28%, também acima de 2024, quando tinha sido de 4,66%. Neste caso, a principal influência para a alta foi da energia elétrica, cujo preço subiu 12,31% e foi o maior impacto individual no IPCA em 2025. O grupo de monitorados reúne itens que são regulados por contratos ou por órgãos públicos. Por isso, refletem menos a relação entre oferta e demanda do mercado que os chamados preços livres.