Sétima geração: o que mudou no novo gramado sintético do Allianz Parque

admin
18 Mar, 2026
Muito criticado, o antigo gramado sintético do Allianz Parque foi trocado por um novo, estreado pelo Palmeiras com vitória sobre o Mirassol no último domingo. O piso, mais moderno do que o anterior , apresenta mudanças e agradou aos atletas e ao técnico Abel Ferreira . “O nosso gramado está top”, definiu o treinador português. Mas o que mudou no novo campo? Trata-se na sétima geração de grama sintética, a mais moderna tecnologia de pisos artificiais para a prática esportiva de alto rendimento, conforme a Soccer Grass, empresa fornecedora do gramado. Foram quase quatro meses entre o último jogo com o gramado antigo e o primeiro no novo piso. O tempo foi longo porque o futebol parou no Allianz Parque, mas os shows, não. Também foi necessário aguardar a chegada da grama, que veio da Holanda, de navio até o porto de Itajaí-SC, e de lá foi transportada de caminhão até São Paulo. Outros materiais foram importados, caso da cortiça, que substitui desde 2024 o termoplástico, material sintético e oriundo da indústria petrolífera que derreteu e precisou ser trocado. Atrapalhou também, em alguns momentos, o mau tempo, com chuvas que atrasaram a obra. Allianz Parque ganhou novo gramado sintético após obra de R$ 11 milhões A superfície veio acompanhada de outras mudanças. Foi importada de Portugal mais carga de cortiça, material orgânico natural, de origem vegetal, com capacidade de isolamento térmico, e foram feitos ajustes no sistema de drenagem e no shock pad - camada que absorve o impacto. A coloração da grama está mais viva, com menos reflexos brancos de luz. “Nós pegamos o sistema anterior e fizemos algumas evoluções tanto na parte de amortecimento, no sistema de absorção de impacto. Foram alguns ajustes finos que a gente vinha observando que precisavam ser feitos tanto para a parte de performance quanto para o visual”, diz Alessandro Oliveira, CEO da Soccer Grass. Na visão de Oliveira, o sintético do estádio do Palmeiras se assemelha a um campo de grama natural porque utiliza fios de grama na base do sistema de tecelagem dos tufos, contribuindo para a regularidade do jogo. “Na prática, é como se o atleta jogasse num campo de grama natural de excelência qualidade”. No decorrer do jogo, num campo natural de qualidade boa, você vê algumas deformações. A vantagem desse sintético é que existe a mesma regularidade do primeiro minuto até o último. Não vai ter imperfeição. O nível de performance de um jogador que tem talento é maravilhoso porque ele vai ter regularidade. Alessandro Oliveira, CEO da Soccer Grass De acordo com Daniel Gonçalves, coordenador científico do Palmeiras, os atletas e a comissão técnica fizeram elogios ao gramado. “Os relatos são os melhores possíveis, sobre qualidade do jogo, a bola rolando de maneira adequada, dando fluidez ao jogo”. Ele considera, com base no relatos dos jogadores, que o campo tem o atrito ideal agora, diferentemente do que apresentava o antigo sintético, desgastado. “Os dados e a percepção nos mostram que a grama está em padrões similares aos bons gramados naturais”. Tanto o CEO da Soccer Grass quanto o coordenador do Palmeiras defendem que o sintético não provoca mais lesões em atletas que o campo natural, como acreditam atletas criticam com veemência esse tipo de superfície, caso de Neymar , líder de um movimento contrário ao piso artificial lançado em fevereiro do ano passado “Estudos recentes demonstraram que os sintéticos são campos que permitem a prática segura de futebol aos atletas”, defende Gonçalves. “Temos que quebrar essa questão do clubismo e do achismo, e trabalhar com o que diz a ciência”, argumenta Oliveira. Novo gramado teve ajustes no sistema de absorção de impacto, na drenagem e na coloração Gramado sintético tem garantia de cinco anos O gramado anterior tinha 10 anos de garantia, mas teve de ser gramado depois de seis anos. O novo sintético apresenta garantia de cinco anos. Uma eventual troca, no futuro, estará condicionada às avaliações periódicas de profissionais do Palmeiras, incluindo membros da comissão técnica. “A durabilidade é muito maior, mas isso vai da percepção do Palmeiras para ver em qual momento deve ser trocado. São parâmetros, testes, que sempre são feitos”, afirma Oliveira. A obra custou perto de R$ 12 milhões e a manutenção do sintético exige, anualmente, investimento de cerca de R$ 500 mil , valor inferior dedicado aos cuidados de um campo de grama natural em outros estádios. Palmeiras e WTorre defendem ser impossível ter um estádio com grama natural devido à extensa agenda de eventos no local . Em 2025, a arena recebeu 32 jogos e 27 shows , além de 200 eventos corporativos. Mais de 2 milhões de pessoas passaram pelo local no ano passado. Palmeiras voltou ao Allianz Parque depois de quatro meses, com vitória sobre o Mirassol “Conseguimos ter uma previsibilidade da entrega final depois de um show, como aconteceu no final de semana (entre o show de Luan Santana e o jogo do Palmeiras). Tivemos dois shows e depois de dez horas e meia o palco estava desmontado para a partida”, ressalta Rojer Antunes, diretor de infraestrutura da WTorre. Agora, antes dos shows, o gramado passou a ficar mais protegido por causa da instalação de um feltro entre o campo e o tablado instalado na pista onde ficam os fãs durantes as apresentações musicais. O feltro facilita a limpeza e evitam problemas como os provocados pelas milhares de miçangas espalhadas no sintético durante o show da cantora americana Taylor Swift, em novembro de 2023. Na época, Abel Ferreira se irritou com “o gramado cheio de coisinhas do espetáculo”. O campo foi vistoriado por um laboratório da Fifa e recebeu na semana passada o certificado Fifa Quality Pro, a máxima qualificação da entidade para gramados de futebol. Na análise, foram analisados fatores como rolagem e quique da bola, absorção de impacto, planicidade e drenagem do gramado, além de tração e resistência.