Telescópio Espacial Hubble capta momento de explosão de cometa

admin
19 Mar, 2026
Utilizando o Telescópio Espacial Hubble, astrônomos capturaram imagens de um cometa no momento em que ele explodiu em fragmentos. O anúncio foi feito pela Nasa nesta quarta-feira (18). O cometa em questão é o C/2025 K1 (Atlas), mais conhecido como K1. De 8 a 10 de novembro, ele foi visto se despedaçando em quatro ou cinco fragmentos, cada um cercado por uma atmosfera de gelo vaporizado. Os telescópios terrestres só conseguiriam registrar manchas difusas de luz. O Hubble, porém, foi capaz de identificar cada fragmento em detalhes. A fragmentação de cometas não é incomum. "Esse é o tipo de coisa que acontece o tempo todo no Sistema Solar", disse o cientista planetário John Noonan, da Universidade de Auburn (Estados Unidos). É incomum, porém, observar um cometa começando a se fragmentar. As observações do Hubble feitas por Noonan e sua equipe podem oferecer aos astrônomos a rara oportunidade de analisar o interior de um cometa. Cometas estão sempre atravessando nosso Sistema Solar em alta velocidade. Muitos mantêm distância do Sol, porém outros viajam perigosamente perto dele e nem sempre sobrevivem a essa aproximação. O gelo de um cometa pode vaporizar de forma explosiva, fazendo com que seu núcleo se fragmente em pedaços menores que derretem ou são lançados de volta ao espaço como estilhaços congelados. O cometa K1, com aproximadamente 8 quilômetros de comprimento, foi descoberto em maio do ano passado pelo Sistema de Alerta de Último Impacto de Asteroides Terrestres, financiado pela Nasa. É uma rede de telescópios voltada à defesa planetária e que é especialista em detectar cometas brilhantes, entre os quais o cometa interestelar 3I/Atlas. Os astrônomos perceberam que o K1 passaria raspando pelo Sol a uma distância de 50 milhões de quilômetros em 8 de outubro. Como isso levaria o K1 para mais perto do que a distância média de Mercúrio em relação ao Sol, os cientistas não esperavam que o cometa saísse inteiro dessa passagem. No fim de outubro, telescópios terrestres detectaram flashes aparecendo ao redor do cometa: explosões ocorrendo enquanto gás era violentamente ejetado para o espaço. Em um artigo publicado no mês passado na revista Icarus, os cientistas relataram que a ruptura do K1 apresentou características incomuns. O mais notável foi um intervalo de 1 a 3 dias entre o momento em que cada fragmento se desprendeu e seu subsequente espetáculo de luz cintilante. Os gelos recém-expostos de cada fragmento deveriam ter sido vaporizados pelo calor do Sol quase imediatamente. As entranhas expostas do K1 também podem ajudar a responder a um enigma astronômico. Não se sabe por que cometas de curto período (aqueles que levam menos de 200 anos para orbitar o Sol) são menos propensos a se fragmentar catastroficamente do que cometas de longo período (cujas jornadas duram mais de 200 anos). Ao estudarem o agora fragmentado K1 —um cometa de longo período—, os astrônomos esperam se aproximar de uma resposta. Atualmente, os fragmentos do K1 estão a cerca de 400 milhões de quilômetros da Terra, em uma área do céu que se alinha com a constelação de Peixes. Eles estão sendo lançados para fora do Sistema Solar. Isso torna ainda mais raro o registro da destruição do K1. "Quando você observa cometas com frequência, no fim vai se deparar com coisas estranhas. Este é mais um exemplo disso. Foi muito legal", afirmou Noonan.