Qualquer que seja a decisão sobre impeachment no São Paulo, não mudará estágio preocupante do clube
11 Jan, 2026
Impeachment, a gente sabe (embora ainda não tenha aprendido), é um processo político. Mais político do que processo. Pode ser por feitos ou por fakes. Pode ser falso ou apenas cadafalso para apear do poder quem não se quer. Com ou sem razão. Citando torturador ou apenas torturando os fatos. Impeachment em um clube de futebol é ainda mais complexo para analisar. Não tenho lugar de fala em associação alguma. Nem pela camisa pela qual torço há 59 anos, e que me faz jornalista esportivo há 35. Optei por não ser sócio até para ser o mais independente possível da minha maior dependência química, física e emocional. Só posso querer sempre o melhor para o meu time - mais do que para meu clube. Não torço pela empadinha do bar do tênis. Quero o sucesso em campo. Posso, e peço, que meu clube seja o mais democrático. Com salutar rodízio de poder. Dança das cadeiras para não dançar as arquibancadas e desandar a equipe. Sem continuísmo. Sem virada de mesa. Como bem disse a presidente palmeirense, no ótimo documentário “Acesso Total”, a respeito da necessária reformulação no elenco em 2025: " na vida, tudo tem um ciclo. E eu acho que é uma inteligência do dirigente saber qual é o momento do término de determinado ciclo". Ciclo termina no fim do mandato. Ponto e basta. Não posso comentar direito nem o clube pelo qual torço e não sou associado. Ele precisa ser soberano em suas decisões como qualquer país (mesmo que desgovernado por um ditador). Não devo meter a colher em outro soberano. Mesmo que vizinho. Gigante. Colossal como a história que tem, e a dívida moral e material que criou. Imenso como os erros das últimas gestões que dão mais títulos protestados na justiça do que levantados justamente em campo. O São Paulo vai nesta semana passar por delicado e doloroso processo de impeachment. Seja qual for a decisão do Conselho Deliberativo (“que se fosse bom não era dado, conselho era...”), o resultado prático não unirá o clube. Não mudará o atual estágio financeiro e esportivo preocupante. Não trará tudo de novo e inovador que o clube quase sempre apresentou à torcida e ao futebol brasileiro, continental e mundial (que já dominou por três vezes). O São Paulo não precisa ser refundado como em 1935. Mas não pode estar afundado como está desde que Carlos Miguel Aidar arquitetou para Juvenal Juvêncio o terceiro mandato. Continuísmo que só serviu para desservir o São Paulo de sua história e glória que eles ajudaram a construir. E derrubaram numa canetada perpetuada.