Lorde leva seu pop alternativo ao show mais esquisito e autêntico do Lollapalooza 2026

admin
23 Mar, 2026
Doze anos depois de sua primeira passagem pelo Lollapalooza , a neozelandesa Lorde retornou ao festival com um show lotado na noite deste domingo, 22. Apesar do rapper Tyler, The Creator , ser a maior atração da noite, parecia que ele dividia esse posto com Lorde, que atraiu um dos maiores públicos do Palco Samsung Galaxy nesta edição do festival. Grande nome do pop alternativo, ela fez um dos shows mais autênticos do evento. A apresentação segue a estética do disco Virgin , lançado em 2025, em que ela lida com temas como transtornos alimentares e identidade de gênero. Lorde brinca com a androgenia. Em Hammer , música que abre o show, ela canta: “Alguns dias sou uma mulher, alguns dias sou um homem”. Em Current Affairs, ela performa enquanto tira a própria a calça, mostrando que está vestido uma cueca. A cantora Lorde é a última a se apresentar no palco Samsung Galaxy no Lollapalooza 2026. O show é minimalista em termos de estrutura, dando mais espaço para a narrativa que a cantora constrói em suas músicas. São apenas dois dançarinos, que aparecem em algumas canções em momentos bastante pontuais (um deles aparece comendo uma maçã em Broken Glass, música sobre transtornos alimentares). Já em Supercut, Lorde corre em uma esteira, literalmente, simbolizando a busca em torno de algo que nunca chega. Mas também há muito espaço para catarse. Em canções como a ótima Green Light (do disco Melodrama , para muitos o melhor álbum da carreira dela), Lorde pede que o público cante o mais alto que cantou em todo o dia. A que finaliza o show, Ribs, também é outra em que ela pede para a plateia dar tudo de si. Hoje com 29 anos, Lorde (cujo nome verdadeiro é Ella) virou um fenômeno lá em 2013, quando tinha apenas 16 anos e estourou com a canção Royals, que chegou a vencer um Grammy de Canção do Ano (a música aparece logo no início do repertório, inclusive). Ela já veio ao Brasil em outras três ocasiões, mas cometeu uma leve gafe no show: disse que veio pela última vez em 2018, mas esteve aqui em 2022 para o festival Primavera Sound. Ainda assim, aparentou estar muito emocionada com o carinho do público. Foi humilde ao agradecer aos que vieram por outros artistas, mas resolveram conferir o show dela. “Olha para nós”, dizia em Liablity, em que as lanternas dos telefones formaram um bonito mar de luzes. O trabalho de Lorde é marcado pelo uso de sintetizados e batidas fortes, mas ela também tem uma banda que a acompanha no show. Não é segredo que ela não tem a maior potência vocal do mundo, mas canta ao vivo, com tom grave bastante característico dela. A base pré-gravada, que é comum aos shows de pop, aparece mais no refrões de músicas mais dançantes. Também é verdade que os fãs da cantora não se conectam com ela pela técnica vocal, mas sim e principalmente pelas letras de suas músicas, sempre cruas, que bem traduzem a experiência de crescer em um mundo cada vez mais confuso e hiper digital. O show de Lorde pode ser meio esquisito, principalmente para quem não conhece ou é familiarizado com o trabalho dela, mas também é um dos mais autênticos que passou pelo festival. É inteiramente fiel a como ela se apresenta e ao disco que lançou no último ano. E os fãs abraçam isso, sem amarras ou preconceitos.