Impeachment? Por que Casares virou alvo de investigação
12 Jan, 2026
Reprodução/X Julio Casares é presidente do São Paulo O presidente do São Paulo , Júlio Casares , é alvo de investigação da Polícia Civil após suspeitas de desvios financeiros envolvendo o clube, que surgiram nas últimas semanas e motivaram discussões sobre um possível processo de impeachment . As informações são do programa Fantástico, da TV Globo. A polêmica ganhou força depois que relatórios apontaram saques milionários em dinheiro vivo realizados entre 2021 e 2025, o que levantou dúvidas sobre a finalidade dessas operações. Segundo os investigadores, há indícios de associação criminosa , apropriação indébita e furto qualificado. A apuração teve início após uma denúncia anônima sobre supostos desvios estruturados e sistemáticos no São Paulo Futebol Clube. Um dos nomes citados é Nelson Marques Ferreira , que foi diretor adjunto entre 2021 e novembro de 2025. Segundo o inquérito, ele criou cerca de 15 franquias em shopping centers entre 2022 e 2023, o que levou à ampliação da investigação. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) foi acionado e enviou dados de movimentações do clube à polícia. O COAF identificou cerca de 35 saques em dinheiro vivo na boca do caixa, realizados de 2021 a 2025, totalizando aproximadamente R$ 11 milhões. Os dois primeiros, somando R$ 600 mil, teriam sido feitos por um ex-funcionário. Depois, o clube passou a contratar carros-fortes para retirar os valores e levar os malotes à tesouraria. Segundo a polícia, esse procedimento dificulta o rastreio do dinheiro. Foram 33 operações com empresa de transporte de valores. O ano com maior movimentação foi 2024, com 11 saques somando R$ 5,2 milhões. Em 2025, já foram identificados R$ 1,7 milhão em cinco operações. O delegado destaca que o foco agora é esclarecer a finalidade desses valores e para quem esse dinheiro era entregue. Depósitos na conta de Júlio Casares Uma conta conjunta de Júlio Casares com a ex-esposa, Mara Casares, também foi analisada. O relatório do COAF aponta que o presidente recebeu, entre janeiro de 2023 e maio de 2025, cerca de R$ 1,5 milhão em depósitos em dinheiro vivo, sempre abaixo de R$ 49 mil, com casos de até 12 operações no mesmo dia. A polícia afirma que não há vínculo direto ou indireto comprovado entre os saques do clube e os depósitos na conta pessoal. A defesa de Casares declarou que os valores têm origem em sua carreira como publicitário na iniciativa privada e que ele costumava guardar dinheiro em espécie antes de assumir o clube, passando depois a depositar esses recursos, segundo informou o Fantástico. Segundo o advogado de Casares, “ esses depósitos são do Júlio para o Júlio ”, possuem origem e lastro e isso será demonstrado no inquérito. A defesa afirma ainda que a prioridade de Casares é a apuração dos fatos. Caso do camarote e citações em gravações Outro episódio investigado ocorreu em outubro do ano passado, quando Mara Casares deixou o cargo de diretora de eventos após a divulgação de um esquema de comercialização clandestina de camarotes em grandes shows no estádio. Em áudio divulgado, o ex-diretor Douglas Schrzman conversa com uma pessoa ligada ao esquema e menciona Mara Casares. “ Você é uma pessoa que a Mara confiou. Eu só entrei nisso porque a Mara me garantiu que você era de total confiança. Então teve negócio aí que você ganhou dinheiro, eu ganhei, todo mundo ganhou, mas foi feito tudo na confiança ”, comenta no áudio. A defesa de Mara afirma que o áudio foi publicado fora de contexto e que ela vem sofrendo ataques nas redes, segundo o Fantástico. Já a defesa de Schrzman disse que ele é alvo de campanha difamatória com trechos de conversas recortados. Nelson Marques Ferreira não respondeu ao pedido de entrevista do programa sobre a compra de franquias. Leia também Mirassol amplia e abre 2 a 0 contra São Paulo; acompanhe ao vivo Dorival sobre Bidon: "Se estão de olho é por merecimento" “Estamos ativos no mercado”, diz Dorival sobre o Corinthians O advogado do São Paulo afirmou ao Fantástico que o clube não é investigado e reforça que despesas em dinheiro fazem parte da rotina, como pagamentos de arbitragem no dia do jogo e prêmios por vitória (“bicho”). A defesa diz que os R$ 11 milhões sacados pertencem ao clube, foram retirados pelo próprio São Paulo e estão contabilizados no balanço, com registro de uso e datas.