Summit Brazil-China: Longevidade da parceria Brasil-China no agro passa por qualidade, inovação e práticas de baixo carbono
25 Mar, 2026
Summit Brazil-China: Longevidade da parceria Brasil-China no agro passa por qualidade, inovação e práticas de baixo carbono Por Valor — Xangai Nos próximos anos, a longevidade da parceria comercial entre Brasil e China nos produtos do agronegócio estará vinculada ao ganho de qualidade, inovação e sustentabilidade. Esta foi a tônica do painel sobre o próximo ciclo de crescimento das relações entre os dois países nos segmento de agro, florestas e energia, realizado durante o primeiro dia do “Summit Valor Econômico Brazil-China 2026”, promovido pelo Valor em associação com o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e a Associação do Povo Chinês para a Amizade com Países Estrangeiros (CPAFFC). A mediação ficou a cargo de Zínia Baeta, editora-executiva do Valor. O 15o plano quinquenal da China, lançado em março, traz as diretrizes da economia chinesa até 2030 e lança luz sobre a necessidade de descarbonizar cadeias produtivas e, ao mesmo tempo, garantir a segurança alimentar por meio da diversificação dos países exportadores. No segmento da carne bovina, o Brasil segue como responsável por 50% dos volumes importados pela China, com volumes crescentes desde 2003 e mais de 1,5 milhões de toneladas embarcadas no último ano. Tian Lei, presidente da Associação de Produtores de Carne de Tianjin, admite a necessidade expressa no décimo quinto plano quinquenal de diversificar fornecedores e aumentar a produção doméstica de proteína animal. "O Brasil tem um papel importante e nossa indústria precisa de espaço, então nossa organização trabalha para aumentar a eficiência e dar mais elasticidade para o setor", afirmou. Kevin Chen, reitor internacional da Academia Chinesa de Desenvolvimento Rural (CARD), reiterou a importância de se conciliar produção e meio ambiente, face ao plano da China de alcançar a neutralidade de carbono até 2050. Segundo o especialista, a China perdeu áreas de florestas nos últimos 40 anos e esse é um campo em que os dois países podem cooperar. “Queremos encontrar a harmonia entre proteger o meio ambiente, o comércio e manter a segurança alimentar de longo prazo, compartilhando experiências com o Brasil”, disse. Para Inty Mendoza, representante-chefe para a China do CNA/Senar, o Brasil se mantém como um parceiro competitivo face a essas necessidades. “O que se percebe em todo esse processo de transformação e planejamento da China é que a discussão sobre sustentabilidade na cadeia de suprimentos é importante”, disse Mendoza. Pablo Machado, vice-presidente executivo de negócios na China e de estratégia da Suzano, destacou os benefícios ambientais de uma inovação desenvolvida pela empresa, que é o plantio de florestas comerciais no sistema de mosaico, entremeado com reservas de vegetação nativa. “A produtividade das florestas plantadas em mosaico é superior. Isso é tecnologia brasileira na agricultura e na floresta, e mostra que a combinação de respeito ao ambiente e eficiência produtiva andam lado a lado", disse. O desafio de continuar sendo um grande produtor e exportador de produtos agropecuários em um cenário de aumento da temperatura global foi lembrado por André Guimarães, diretor-executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam). Segundo o pesquisador, existem regiões no Cerrado e Amazônia que já registram temperaturas entre 3oC e 4oC acima das médias históricas, e cada 1oC de aumento na temperatura leva a uma perda de produtividade de 6% na soja e de 8% no milho, de acordo com estudos recentes. “A natureza tem um papel na resiliência da agricultura. A agregação de valor para o futuro está em incorporar essa variável ambiental", disse Guimarães. O “Summit Valor Econômico Brazil-China 2026” é o terceiro evento do gênero promovido pelo jornal na China desde 2024. Esta edição tem patrocínio de BYD, Prefeitura do Rio, por meio da Invest.Rio, Embratur, Governo do Estado do Rio de Janeiro e ApexBrasil, com apoio de Prefeitura de São Paulo, Suzano, CBMM, Alibaba e World Resources Institute, iCS (Instituto Clima e Sociedade) e CNA/Senar. Não há despesas bancadas pelo jornal em caso de convites feitos a agentes públicos que façam parte dos debates. Conheça o Valor One Acompanhe os mercados com nossas ferramentas