Por que Flávio Bolsonaro votou a favor do PL da Misoginia?

admin
25 Mar, 2026
Flávio Bolsonaro foi um dos senadores que aprovou [https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/senado-aprova-projeto-que-equipara-misoginia-ao-racismo-veja-como-cada-senador-votou/] o chamado PL da Misoginia, uma excrescência legislativa... Ops. Desculpe. “Lei” é substantivo feminino, então chamar de “excrescência” talvez seja crime, não sei. Estou confuso. E por isso mesmo escrevo este texto: para dizer que o pré-candidato da direita e dos conservadores talvez possa nos explicar umas coisinhas. ENTRE PARA A MINHA COMUNIDADE NO WHATSAPP! [https://sndflw.com/i/BGCLFclD6FuMggrDeeYS] Tipo assim. Se eu reclamar que a minha mulher ronca, estarei sendo misógino e posso ser preso sem direito a fiança? Ou então: digamos que a minha mulher esteja há horas falando sobre uma bolsa linda que ela viu na vitrine. Posso interrompê-la brevemente para ir ao banheiro ou é cana na certa? E mais esta: posso dizer que não gostei do livro de uma escritora ou tenho que elogiá-lo? E uma prefeita ou senadora ou ministra do STF? Posso cobrá-la ou tenho que ficar quietinho no meu canto de macho opressor? Viver, crime inafiançável E atenção! Porque agora vou escrever uma obviedade infelizmente necessária aos leitores burros (mas nunca, jamais, em hipótese alguma burras): claro que não sou a favor da misoginia. Aliás, só não vou falar aqui que adoro as mulheres em geral porque senão apanho em casa. E claro que a aversão às mulheres existe e gera violência. Mas não é uma lei oportunista que resolverá o problema. Aliás, essa lei que está aí não faz a menor diferença na vida das mulheres que são vítimas de violência real. Em compensação, piorará, e muito, a relação entre os sexos que, não é por nada, não, mas vêm se dando razoavelmente bem há milênios. Eu disse razoavelmente. Tanto que eu e você estamos aqui. A equiparação da misoginia ao racismo (ao racismo!) criminalizará um conflito que não sei nem se posso chamar de conflito e que é natural, simplesmente porque homens e mulheres são diferentes. Não que um seja melhor do que o outro. Mas são diferentes e é dessa diferença que se origina a vida. Não só a vida biológica, na forma de um bebê, mas também a vida no sentido mais amplo do termo. Ninguém cria nada sem conflito, sem discordâncias, sem erros, sem aprendizado, sem riso e sem lágrimas. PL da Misandria Aí é que está. Me parece que, por uma hipersensibilidade muito própria da nossa época, o movimento identitário está tentando criminalizar o erro, a discordância e o conflito, colocados num mesmo balaio de ódio. Não é ódio, gente. Não é. Simplesmente não é. O movimento identitário está tentando criar uma sociedade sem traumas e sem sofrimento. Uma sociedade ideologicamente anestesiada. Assim não pode. Assim não dá. Qual a chance de isso dar certo? O mais provável, aliás, é que o PL da Misoginia reforce os argumentos de quem acredita estar vivendo sob a ginecoditadura. Isto é, os redpillados que o projeto de lei diz combater. E digo mais: se a relação naturalmente conflitante entre homem e mulher fosse mesmo ódio, neste caso o PL deveria ser da misandria, e não da misoginia, porque quer, num primeiro momento, educar à força e, se não der para ensiná-lo a mijar sentado, pretende destruir e anular o homem. Fui De volta ao pré-candidato Flávio Bolsonaro, são 13h37 e ainda não vi nenhuma explicação dele para ter votado a favor de um projeto de lei que criminaliza a “aversão às mulheres”. O que quer que isso signifique e pode ter certeza de que “aversão” significará exatamente o que o juiz e a mulher insultada, ofendida ou magoada quiserem contra o réu. E se o réu tiver umas ideias direitosas, tanto pior. Mas não se preocupe, porque a tropa de choque já mandou avisar que não se pode cobrar explicações do senador, ainda mais agora que Flávio Bolsonaro está subindo nas pesquisas. Senão o PT vai continuar no poder. Então tá. Não tá mais aqui quem falou. O quê? Já vai, amor! Um minutinho. Tô terminando o texto de hoje e já vou aí massagear os seus pés. Não, não, não chama a polícia ainda, meu amor. Tô indo. Fui.