Documentário ‘A Febre Elena Ferrante’ mantém mistério sobre identidade de escritora

admin
26 Mar, 2026
Documentário "A Febre Elena Ferrante", estreia nesta quinta, 26, no Canal Curta! Foto: Colagem de Thaís Barroco sobre fotos de Divulgação/Canal Curta/Editora Biblioteca Azul Quem está ansioso pelo dia 26 de março, esperando que o diretor italiano Giacomo Durzi desvende em seu documentário “A Febre Elena Ferrante” o mistério por trás de quem é Elena Ferrante , pode ir desacelerando – ao menos em parte. O nome da escritora (ou escritor) segue guardado a sete chaves. Em entrevista exclusiva à Coluna , o cineasta diz que preferiu mirar em outro ponto: entender por que a obra atravessa leitores no mundo todo. “Em seus livros, todo mundo encontra um personagem ou um sentimento com o qual se identificar .” Para ele, a força está aí: os livros não falam sobre o leitor — falam com o leitor e “é isso que a grande literatura faz”. A ideia ecoa a própria Ferrante, que já afirmou que suas obras não precisam da figura do autor para existir. Leia a entrevista na íntegra ao final. Elena Ferrante: o mistério sobre a verdadeira identidade O comentário nasce também como reação. Durzi conta que o debate sobre a identidade da escritora acabou eclipsando a discussão literária — e, em alguns casos, descambou para ataques. Leitor assumido, decidiu inverter o eixo: “ precisava contar de onde vem a beleza desses livros e refletir sobre o fenômeno sociológico que se espalhou pelo mundo”. O anonimato, então, fica em segundo plano — tratado, segundo ele, com certa “ironia espirituosa”. Maternidade, amizade feminina e desigualdade social atravessam a obra da autora, que estreou com “Um Amor Incômodo”, em 1992. O reconhecimento internacional viria anos depois, em 2011, com a tetralogia napolitana, aberta por “A Amiga Genial”. Tetralogia Napolitana, série de livros de Elena Ferrante. Crédito: Divulgação/Editora Biblioteca Azul Entrevista com Giacomo Duriz Coluna Alice Ferraz: Como e por que surgiu a ideia de fazer um documentário sobre Elena Ferrante? Giacomo Durzi: A ideia surgiu primeiro em mim como um leitor apaixonado pela narrativa de Ferrante e, depois, como uma forma de responder àquela espécie de agressão desagradável em torno de sua identidade, que naqueles anos — especialmente na Itália — se tornou o principal foco das discussões diárias nos jornais sobre a autora. Eu disse a mim mesmo que precisava contar a origem da beleza de seus livros e refletir sobre o fenômeno sociológico que se espalhou pelo mundo, tentando responder a algumas questões. C: Como você aborda o anonimato da escritora? O segredo em torno da identidade de Elena Ferrante foi um desafio para o desenvolvimento do documentário? GD: Sim, foi — especialmente porque eu queria mantê-lo como um componente não tão relevante da narrativa. Era um pretexto para impulsionar a narrativa, mas para mim não era o foco principal. Por isso, abordei a questão com certa ironia espirituosa. C: A partir das entrevistas e das informações reunidas para o filme, como Elena Ferrante se tornou uma escritora tão influente sem revelar sua identidade? GD: A resposta está no filme, espero! De qualquer forma, eu diria que o anonimato não foi — pelo menos no início — determinante para o sucesso dos livros. Talvez mais tarde, quando suas obras já estavam consolidadas na comunidade literária e sua voz já era a de uma autora sólida e respeitada, alguns leitores tenham se interessado por curiosidade em relação à sua identidade. Mas, para mim, o sucesso não foi influenciado por isso. C: O que torna a escrita de Elena Ferrante tão aclamada? GD: O fato de ser universal. Em seus livros, todo mundo pode encontrar um personagem ou um sentimento com o qual se identificar. Você tem a sensação de que os livros não falam sobre você, mas falam com você. É isso que a grande literatura é capaz de fazer... C: Depois de mergulhar na obra de Ferrante, como você vê o impacto dela na literatura contemporânea? GD: Enorme! Seus livros mostraram que, em um período em que a literatura é atacada por todos os tipos de mídia, ainda há esperança de reunir um grande público para os livros. C: Que tipo de público você imagina para este documentário: leitores que já conhecem sua obra ou um público mais amplo? GD: Não apenas leitores, mas também pessoas curiosas para entender as razões por trás de um fenômeno tão grande.