Em meio a desafios na proteção às mulheres, tecnologia busca ampliar rede de apoio no RS
26 Mar, 2026
A tecnologia vem ganhando espaço como ferramenta de apoio no enfrentamento à violência contra a mulher no Rio Grande do Sul em meio ao número crescente de casos de abusos e feminicídios. Um dos painéis do South Summit Brazil 2026, nesta quinta-feira, 26, apresentou como o uso de dados e sistemas digitais pode contribuir para estruturar políticas públicas e ampliar o acesso à rede de proteção. A programação destacou o Painel da Rede de Proteção à Mulher, plataforma desenvolvida no Estado para reunir, organizar e disponibilizar informações sobre serviços de acolhimento. Como a ferramenta foi criada A ferramenta centraliza dados de delegacias especializadas, centros de referência e unidades de saúde, utilizando geolocalização para indicar os pontos mais próximos e orientar o acesso a rotas e contatos de emergência. A construção do sistema foi detalhada por Maria do Socorro Barbosa, da Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão. Segundo ela, o desenvolvimento do painel ocorreu em três etapas principais: - Coleta das informações: levantamento de dados em bases públicas e junto a órgãos parceiros sobre serviços de atendimento às mulheres; - Geolocalização: organização dos endereços com atribuição de coordenadas geográficas para visualização em mapas; - Disponibilização no painel: estruturação final dos dados em uma plataforma digital aberta, com sistema de busca e visualização para consulta pública. Durante o painel, a delegada e Secretária Adjunta da Secretaria da Mulher do RS, Viviane Viegas ressaltou o papel da informação na articulação das políticas públicas. “Nós não conseguimos trabalhar articulação de rede se nós não trabalharmos informação”, afirmou. Segundo ela, a proposta é dimensionar a rede de atendimento de forma a alcançar todo o território estadual, considerando as especificidades de cada região. Viviane também destacou que a tecnologia atua como elemento de integração entre os diferentes serviços. “A rede existe. A gente precisa de um elo condutor para que o Estado tenha essa informação e possa produzir políticas públicas”, disse. Para a delegada, o uso de dados permite organizar e dar visibilidade a essa estrutura já existente. - Como plataformas digitais ajudam produtores gaúchos a chegar mais longe - South Summit Brazil debate a influência da IA no trabalho - O combustível limpo que abastece o South Summit Brazil 2026 Outro ponto abordado foi a possibilidade de acompanhamento dos atendimentos ao longo da rede, conectando áreas como segurança, saúde e assistência social. A integração das informações contribui para a continuidade do cuidado e para uma visão mais ampla dos serviços disponíveis nos 497 municípios do Estado. Além disso, o cruzamento de dados pode auxiliar na identificação de padrões e no planejamento de ações preventivas. Conforme destacado no painel, atendimentos na área da saúde muitas vezes representam um primeiro ponto de contato antes do registro formal da ocorrência, o que pode contribuir para orientar estratégias de prevenção. Na etapa de acesso, o painel permite a busca por serviços em um raio de até 50 quilômetros e integra canais digitais, como aplicativos de mensagens, para facilitar o contato com a rede de apoio.