Novo robô autônomo é menor que um grão de sal e processa dados

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12 Jan, 2026
Pesquisadores das universidades da Pensilvânia e de Michigan anunciaram em dezembro, nos Estados Unidos, a criação de um robô autônomo menor que um grão de sal para revolucionar a medicina e a indústria. Utilizando uma arquitetura eletrônica miniaturizada e propulsão iônica, os cientistas conseguiram integrar processamento e movimento em um dispositivo microscópico, superando décadas de limitações físicas para operar de forma independente em ambientes líquidos e hostis.Leia mais:CES 2026: O impossível? Novo robô aspirador sobe escadas carregando outroRobô Atlas da Boston Dynamics começa a ser fabricado em 2026Esse Sweekar tipo tamagotchi com IA promete nunca “morrer” e surpreende na CESEngenharia em escala microscópicaCom dimensões aproximadas de 210 por 340 micrômetros e uma espessura de apenas 50 micrômetros, o dispositivo é um marco para a engenharia moderna. A equipe da Penn Engineering focou na estrutura física e nos recursos de locomoção do microrrobô, garantindo que ele fosse pequeno o suficiente para caber na crista de uma impressão digital. O maior desafio superado foi criar algo funcional em um ambiente onde a viscosidade e o arrasto de fluidos são forças muito dominantes.A escala da inovação: microrrobô totalmente integrado com sensores e computador posicionado sobre uma moeda de um centavo para comparação de tamanho. (Foto: Kyle Skelil, University of Pennsylvania)Diferente de máquinas maiores, este robô não possui motores tradicionais ou pernas móveis que poderiam quebrar facilmente em microescala. Ele utiliza um sistema de propulsão iônica inovador, gerando campos elétricos que empurram íons no fluido ao redor para criar movimento. Esse método permite que o dispositivo nade de maneira eficiente e coordenada, atingindo velocidades de até um comprimento de corpo por segundo, mantendo uma durabilidade impressionante.O cérebro do tamanho de um pontoA inteligência por trás dessa estrutura minúscula veio dos cientistas de Michigan, conhecidos por criarem o menor computador do mundo anteriormente. Eles adaptaram essa tecnologia para o sistema de propulsão da Pensilvânia, integrando um processador, memória e sensores em um chip menor que um milímetro. Esse cérebro eletrônico permite que o dispositivo perceba o ambiente ao seu redor e tome decisões programadas sem depender de uma infraestrutura externa de controle.O avanço demonstra que a área está se diversificando rapidamente, pois ao mesmo tempo que vemos novidades na robótica inteligente para aplicações industriais e corporativas, cientistas conseguem miniaturizar o processamento para escalas microscópicas. Essa convergência tecnológica é o que permite que um objeto quase invisível a olho nu consiga executar algoritmos digitais complexos e adaptar seu comportamento conforme os estímulos.Conteúdo Relacionado Automação domésticaLG apresenta robô doméstico LG CLOiD na CES 2026 e compartilha visão de "casa com zero trabalho"Energia solar e comunicação por dançaA alimentação de energia é baseada em minúsculas células fotovoltaicas que cobrem a maior parte do corpo da máquina. O sistema opera com apenas 75 a 100 nanowatts, um consumo de energia 100 mil vezes menor que o de um smartwatch comum. Para alcançar esse nível, os circuitos foram projetados para funcionar em tensões extremamente baixas, permitindo que a luz de LEDs forneça toda a eletricidade necessária para o funcionamento e para a manutenção da memória interna.A programação desses dispositivos é feita por meio de pulsos de luz captados pelos seus painéis solares, que realizam uma função dupla no sistema. Para devolver os dados coletados, como variações de temperatura, o robô foi treinado para realizar uma dança codificada, similar à das abelhas. Através de sequências específicas de movimentos de propulsão, ele transmite informações sem a necessidade de antenas de rádio convencionais, que seriam inviáveis nessa escala.Baixo custo e futuro da tecnologiaSurpreendentemente, apesar da alta tecnologia envolvida, o custo de produção estimado para cada unidade é de apenas um centavo de dólar quando fabricado em larga escala. Além disso, o equipamento necessário para programar e monitorar esses robôs é acessível, custando cerca de 100 dólares. Os pesquisadores utilizaram componentes simples, como Raspberry Pi e câmeras de smartphones com lentes macro, provando que a nanotecnologia de ponta pode se tornar democrática.Robô BeBot usa energia solar para limpar praias e combater poluiçãoAtualmente, o projeto enfrenta desafios significativos antes de chegar ao uso clínico em humanos, como a dependência de luz constante. Como o dispositivo não possui espaço para baterias, ele reinicia e perde a memória sempre que a fonte de luz é desligada. Outro ponto crítico é o uso de peróxido de hidrogênio como combustível nos testes atuais, mas os cientistas já trabalham em versões biocompatíveis que possam operar livremente dentro do sistema circulatório humano.Conteúdo Relacionado QD-OLED!OLED S95H evoluiu! Mais brilho, nova CPU e design reformuladoFonte: Penn Engineering