Explorar o espaço é também acreditar nos sonhos
30 Mar, 2026
Senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) e o estudante e desenvolvedor do projeto Decola Divinamente, Eric Hatanaka. Geraldo Magela/Agência Senado Hoje (30/03) , vivi um daqueles momentos que reforçam por que continuo na missão de servir ao Brasil . Durante a Sessão Solene no Senado Federa l, em comemoração aos 32 anos da Agência Espacial Brasileira e aos 20 anos da Missão Centenário , estive diante a um jovem que me emocionou profundamente . Eric Hatanaka, de apenas 12 anos, subiu à tribuna com coragem e falou sobre seu sonho. Ele desenvolve foguetes experimentais, estuda ciência, acredita no conhecimento e decidiu mostrar ao Brasil que nossos jovens são capazes de ir além. Mas o que me tocou não foi o talento dele, que é impressionante. Foi o propósito. O senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) e o estudante e desenvolvedor do projeto Decola Divinamente, desenvolverdor do foguete SUPERA (DD-E1K-F01), Eric Hatanaka. Geraldo Magela/Agência Senado Ele construiu um de seus foguetes e deu a ele o meu nome. E mais do que isso: criou uma solução inspirada em tecnologia para ajudar a própria avó, porque acredita que tecnologia e humanidade precisam caminhar juntas. Em determinado momento, ele disse algo que ficou comigo: “Eu era só um menino com um sonho, e mesmo assim você acreditou em mim.” Aquilo me marcou profundamente. Porque, no fundo, essa também é a minha história. No fundo, é isso o que realmente importa. Quem conhece a minha história sabe que eu tinha um sonho de voar. E eu não desisti porque a minha mãe olhou para mim, um dia, e disse: “você pode ser tudo o que quiser na vida. Desde que estude, trabalhe e faça mais do que esperam de você”! Quando fui ao espaço, há 20 anos, levei comigo não apenas a bandeira do Brasil, mas o sonho de milhões de brasileiros. E, desde então, entendi que o maior legado da Missão Centenário não está nos experimentos ou nos avanços científicos. Está nas pessoas que foram inspiradas. Está nos jovens que passaram a acreditar que também podem chegar lá. Está em histórias como a do Eric. É por isso que eu digo: ciência e tecnologia só fazem sentido quando transformam vidas. Um país que precisa acreditar em si Mesa: senadora Damares Alves (Republicanos-DF); senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP); presidente desta sessão, senador Chico Rodrigues (PSB-RR) Andressa Anholete/Agência Senado O Senador Chico Rodrigues abriu a sessão solene, o que me trouxe um sentimento de nostalgia e agradecimento. Ele participou de forma indireta para que a Missão Centenário existisse. Na época, ele atuou como Deputado Federal e de contribuir, junto a tantos outros parlamentares, para que aquela missão se tornasse realidade. Eles entenderam que aquele momento não se tratava apenas de um voo espacial, mas de um passo estratégico para o futuro do Brasil. E conheceu de perto ambientes ligados à exploração espacial, como o Cazaquistão, o que reforçou ainda mais a convicção de que o Brasil precisava ocupar o seu espaço nesse cenário global. Na mesma sessão, ouvi palavras que também me tocaram profundamente. A senadora Damares Alves falou sobre o que realmente significa uma missão como essa: renúncia. E é verdade. Nenhuma conquista desse tamanho vem sem esforço, sem disciplina, sem abrir mão de muitas coisas pelo caminho. Mas também ouvi algo que reforça o que acredito: servir ao Brasil é, em si, uma honra que nos move a sonhar mais alto. E isso precisa ser compartilhado com o país. Porque o Brasil tem capacidade. Tem talento. Tem gente preparada. O valor de reconhecer quem constrói A sessão foi, acima de tudo, um momento de reconhecimento. Reconhecimento a quem ajudou a construir o programa espacial brasileiro. Em especial, comemorar os 32 anos da criação da Agência Espacial Brasileira (AEB), órgão central do Sistema Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais, instituído pela Lei no 8.854, de 10 de fevereiro de 1994. Ao longo de mais de três décadas, a Agência Espacial Brasileira consolidou-se como uma instituição estratégica para o país, atuando na formulação, coordenação e execução da política espacial nacional. Seu trabalho tem contribuído de forma decisiva para o avanço científico, tecnológico e industrial do Brasil, com impactos diretos em áreas essenciais como telecomunicações, monitoramento ambiental, observação da Terra, defesa, meteorologia, agricultura, planejamento urbano e gestão de riscos e desastres naturais. Além disso, a AEB desempenha um papel fundamental na promoção da soberania nacional, no fortalecimento da presença do Brasil em cooperações internacionais de alto nível e na formação de recursos humanos qualificados, impulsionando a inovação e preparando o país para os desafios do futuro. A servidores, cientistas, gestores, militares e tantos outros profissionais que, muitas vezes longe dos holofotes, fazem o Brasil avançar. Também foi um momento de memória. Prestamos homenagem àqueles que já partiram, mas deixaram um legado fundamental para o desenvolvimento da nossa ciência e tecnologia. Pessoas que dedicaram suas vidas ao futuro do país. Esses rituais são importantes. Porque um país que valoriza sua história é um país que sabe para onde vai. Ciência que gera futuro Ao longo desses anos, o Brasil avançou. A Agência Espacial Brasileira, junto com a Força Aérea e diversas instituições, têm trabalhado para colocar o país em um novo patamar no cenário internacional. Projetos, parcerias, formação de profissionais e iniciativas estratégicas mostram que temos condições reais de competir globalmente. Mas ainda temos desafios. E eles exigem decisão. Exigem investimento. Exigem prioridade. Porque ciência e tecnologia não são luxo. São necessidade. Por que continuo nessa missão Muita gente me pergunta por que entrei na política. A resposta é simples. Porque entendi que, para que o Brasil avance em ciência, inovação e educação, é preciso também atuar onde as decisões são tomadas. E momentos como esse me mostram que vale a pena. Quando vejo um jovem de 12 anos sonhando em construir foguetes, acreditando no futuro e dizendo que também é capaz, eu tenho certeza de que estamos no caminho certo. O céu não é o limite A Missão Centenário mostrou que o Brasil pode ir além. Mas histórias como a do Eric mostram algo ainda mais importante: que esse caminho continua. Que a próxima geração já está pronta. E que cabe a nós abrir as portas. Porque explorar o espaço não é só sobre foguetes. É sobre gente. É sobre oportunidade. É sobre acreditar. E, acima de tudo, é sobre garantir que nenhum sonho brasileiro fique no chão. Ad Astra.