Lula fortalece discurso sobre segurança pública e promete novo ministério
12 Apr, 2026
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a adotar um discurso mais rígido na área de segurança pública diante do avanço do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas eleitorais, buscando ampliar sua conexão com o eleitorado de centro. A estratégia inclui declarações mais duras contra o crime organizado e propostas de punições mais severas, em meio a um cenário de maior preocupação da população com a violência, segundo levantamento do instituto Quaest, informa o jornal O Globo. O movimento ocorre após pesquisas recentes indicarem crescimento de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. Levantamento do Datafolha divulgado no sábado (11) mostrou o senador numericamente à frente em um eventual segundo turno, com 46% das intenções de voto, contra 45% de Lula, dentro da margem de erro. Os dados também apontam altos índices de rejeição para ambos os nomes. A mudança de postura do presidente inclui a incorporação de um tom mais punitivista, tradicionalmente associado a setores da direita. Em entrevista nesta semana, Lula abordou críticas recorrentes sobre a impunidade no país ao afirmar: “Precisamos ter uma discussão profunda sobre o papel do Poder Judiciário. Os governadores todos se queixam: a polícia prende um ladrão, e dependendo da fama dele, é solto no dia seguinte”. Além disso, o presidente tem sinalizado a intenção de defender penas mais duras para crimes como violência contra mulheres, pedofilia e atuação de facções criminosas. A avaliação dentro do governo é que a abordagem precisa ser mais enfática, acompanhando uma demanda social crescente por maior rigor no combate à criminalidade. Outro ponto que deve ganhar destaque no discurso presidencial é o combate a crimes cotidianos, como roubos de celular, tema frequentemente associado à sensação de insegurança urbana. A estratégia busca reduzir a percepção de que setores da esquerda seriam mais tolerantes com criminosos. No campo institucional, Lula voltou a defender a criação do Ministério da Segurança Pública, proposta já apresentada durante a campanha de 2022. A iniciativa pode ganhar força após a aprovação da chamada PEC da Segurança pela Câmara dos Deputados, que ainda depende de análise do Senado. O ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, afirmou que a política do governo na área será baseada em dados e diálogo institucional. “Estamos aspirando soluções de segurança baseada em evidência e em diálogo com Congresso. Ainda que isso signifique uma espécie de ênfase na expectativa da população, não é algo gratuito. É política baseada em evidência, com rigor e austeridade no combate ao crime organizado”, declarou.