Aposentadoria sem paz: o Brasil precisa proteger seus idosos
15 Jan, 2026
Os aposentados brasileiros de hoje têm muito a nos ensinar e também muito a aprender. Apesar de terem dedicado décadas ao trabalho e à construção do país, muitos se veem vulneráveis diante de um mundo digital cheio de armadilhas e com poucos mecanismos de suporte. É nosso dever valorizar esses cidadãos e garantir que eles estejam protegidos e amparados nesta nova realidade. No próximo 24 de janeiro, Dia Nacional do Aposentado, cabe lembrar não só as conquistas históricas da Previdência Social – como a Lei Eloy Chaves de 1923, marco inicial da previdência no Brasil – mas também refletimos sobre como a origem da palavra “aposentado”, cujo termo vem de “aposento” (cômodo da casa destinado ao descanso), não se encaixa mais. Repousar, infelizmente, tornou-se um privilégio que muitos aposentados hoje não conseguem desfrutar diante dos desafios atuais. Com os avanços da longevidade e da tecnologia, os novos aposentados chegam à fase de descanso com energia e disposição, porém cercados por desafios inéditos. Smartphones, senhas e aplicativos bancários se tornaram parte do cotidiano, ao mesmo tempo em que uma enxurrada de golpes virtuais mira justamente neles. Essa geração que não nasceu na era digital muitas vezes não reconhece de imediato as ciladas online: ofertas indevidas de empréstimo consignado, falsas mensagens de “prova de vida”, golpistas se passando por funcionários do INSS ou de bancos, golpe do falso advogado que oferece destravar valores de processos judiciais ou revisar benefícios – a lista é extensa. Para piorar, nem todos têm a quem recorrer para pedir orientação sobre como se proteger. A ingenuidade, compreensível em quem viveu grande parte da vida offline (fora da Internet), acaba se tornando terreno fértil para estelionatários. Diante dessa realidade, é urgente pensarmos em medidas públicas e privadas que protejam e capacitem nossos aposentados no mundo digital. Entidades de previdência complementar podem oferecer treinamentos e canais de apoio específicos para seus participantes aposentados. Já o poder público poderia criar políticas e campanhas educativas focadas em conscientizar e blindar os idosos contra fraudes. A aposentadoria deveria ser sinônimo de tranquilidade, não de vulnerabilidade. Está na hora de mudar esse cenário.