China vê oportunidade para avanço do yuan com perda de confiança no dólar

admin
13 Apr, 2026
247 - A China avalia que o cenário internacional atual abre uma oportunidade estratégica para ampliar o uso do yuan no sistema financeiro global, em meio à crescente perda de confiança no dólar. A avaliação é do ex-presidente do Banco Central chinês, Zhou Xiaochuan, que aponta mudanças no equilíbrio monetário internacional impulsionadas por decisões políticas dos Estados Unidos. Segundo informações do South China Morning Post, Zhou afirmou que a atual conjuntura representa uma “janela de ouro” para o avanço internacional do renminbi, nome oficial da moeda chinesa. De acordo com o ex-dirigente, fatores como a aplicação de tarifas comerciais por Washington, o uso recorrente do dólar como instrumento de sanções e as tensões geopolíticas sucessivas contribuíram para reduzir a credibilidade da moeda norte-americana. Esse ambiente, segundo ele, cria condições inéditas para que o yuan ganhe espaço como alternativa parcial no comércio e nas finanças globais. Zhou destacou que o movimento não ocorre de forma espontânea, mas é resultado direto das escolhas políticas dos Estados Unidos. Para ele, essas decisões têm impacto estrutural no sistema monetário internacional e favorecem o surgimento de alternativas. Ao mesmo tempo, o yuan vem enfrentando pressão de valorização, impulsionada pelo retorno de capitais à China. Esse fator, na avaliação do ex-presidente do Banco Central, reforça o momento favorável para ampliar a presença internacional da moeda. Durante o Fórum de Moedas de Xangai, ele afirmou que o cenário exige uma estratégia gradual e bem coordenada para aproveitar esse impulso. Zhou também relembrou que, durante sua gestão à frente do Banco Central da China entre 2002 e 2018, foram estabelecidas as bases para a internacionalização do yuan, especialmente com a autorização do uso da moeda em liquidações comerciais transfronteiriças a partir de 2009. Ele contestou ainda argumentos de que o superávit comercial chinês seria um obstáculo para a expansão global do yuan. Segundo Zhou, o país pode fornecer liquidez internacional por meio de contas de capital e empréstimos externos, ampliando a circulação da moeda fora de suas fronteiras. Outro ponto abordado foi a comparação com o modelo dos Estados Unidos. Zhou rejeitou a ideia de que a China precise replicar a emissão em larga escala de dívida pública para tornar sua moeda relevante. Ele observou que a demanda global por moedas de reserva é menor do que o volume de títulos do Tesouro norte-americano, embora reconheça que a oferta de ativos seguros, líquidos e conversíveis ainda representa um desafio para o yuan. Apesar das oportunidades, o ex-dirigente ponderou que uma alternativa robusta ao dólar não deve surgir no curto prazo, devido ao ritmo gradual da internacionalização da moeda chinesa. Ainda assim, defendeu que Pequim avance de forma contínua em reformas e na abertura financeira. Entre as medidas consideradas essenciais, Zhou destacou a necessidade de ampliar a conversibilidade do yuan, evitar regulações excessivas, fortalecer a infraestrutura financeira transfronteiriça e consolidar centros financeiros estratégicos, como Xangai.