PB: Sogra é apontada como elo de CV a prefeito afastado 2 dias após eleito
16 Apr, 2026
PB: Sogra é apontada como elo de CV a prefeito afastado 2 dias após eleito A sogra do prefeito eleito e afastado de Cabedelo, na Grande João Pessoa, é apontada nas investigações da PF (Polícia Federal) e do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas) do Ministério Público da Paraíba como elo entre a gestão pública e a "Tropa do Amigão", uma célula do CV (Comando Vermelho) no estado. A investigação cita que existe um "consórcio político-criminoso" em que Cinthya Denize Silva Cordeiro seria estratégica por ser advogada de Flávio de Lima Monteiro, o "Fatoka", o líder desse grupo. Cinthya é mãe da primeira-dama do prefeito eleito em disputa suplementar no domingo (11), Edvaldo Neto (Avante), mas que foi afastado do cargo na terça-feira em operação que apura desvios em contratos públicos e infiltração do CV na prefeitura. Cinthya também foi alvo de busca e apreensão. Neto ocupava o cargo de maneira interina desde a cassação do diploma do prefeito André Coutinho (Avante), em junho de 2025, quando ele foi condenado por acordo com integrantes da Tropa do Amigão, que teriam recebido cargos na prefeitura em troca de apoio eleitoral em 2024. Eles são aliados políticos. Já "Fatoka" está foragido da Justiça desde de uma mega fuga em 2018, quando 92 detentos escaparam da Penitenciária de Segurança Máxima Doutor Romeu Gonçalves de Abrantes, a PB1, em João Pessoa. Segundo as investigações do Ministério Público da Paraíba, ele continua ordenando crimes em Cabedelo, apesar de estar escondido em uma comunidade no Rio de Janeiro. O papel da sogra Segundo a investigação, a sogra do prefeito utilizou a amizade com a ex-primeira-dama Daniella Ronconi, esposa do ex-prefeito Vitor Hugo (2018-2024), para articular a aliança inicial entre o município e a facção. Essa conexão, dizem os investigadores, permitiu que o crime organizado passasse a operar dentro da estrutura administrativa, ocupando cargos públicos, seja de forma direta ou por contratações por uma empresa terceirizada que está sendo alvo da investigação. Cinthya é suspeita de mascarar repasses de dinheiro para a facção e de atuar na intermediação entre o núcleo político e o braço armado do crime. Para os investigadores, essa relação jurídica gerou uma institucionalização do seu vínculo com a facção, já que ela se tornou ponte de comunicação até mesmo com o comando central do CV, incluindo indícios de confiança com Fernandinho Beira-Mar. Com a ascensão de seu genro Edvaldo Neto ao cargo de prefeito, Cinthya passou a ser vista como uma figura de poder contínuo. Para a Justiça, sua presença garantia que, independentemente da troca de gestores, o pacto de contratações públicas em troca de apoio nas áreas de controle territorial armado permanecesse. Com a decisão de terça-feira, Cynthia está proibida de acessar ou frequentar as dependências da Prefeitura de Cabedelo, além de estar impedida de manter contato com os demais investigados. A coluna tentou contato com Cinthya, mas conseguiu localizá-la. O espaço segue aberto. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.