Quais são os países com as maiores reservas de Lítio do mundo?
16 Jan, 2026
Neste momento, o mercado de tecnologia e a transição energética global dependem diretamente de um único elemento químico: o Litio. Do seu smartphone ao console portátil, passando pelos veículos elétricos que começam a dominar as ruas, a demanda por baterias de alta densidade colocou as maiores reservas lítio no centro das atenções geopolíticas e econômicas.Conhecido como o “ouro branco“, esse mineral não alimenta apenas dispositivos, mas define quem liderará a economia nas próximas décadas.O que torna o Lítio indispensável na era digital e energética?O Lítio é um metal leve, altamente reativo e com uma capacidade única de armazenar e liberar energia de forma eficiente. Essa característica o transformou no elemento central das baterias de Íons de Lítio, hoje presentes em praticamente toda a infraestrutura tecnológica moderna:PropriedadeValor / característicaPor que isso importaSímbolo químicoLiIdentificação do elemento na tabela periódica.Número atômico3Um dos metais mais leves existentes.Massa atômica6,94 uContribui para baterias leves e portáteis.Densidade0,534 g/cm3Permite alta energia sem aumentar o peso dos dispositivos.Ponto de fusão180,5 °CRelativamente baixo, facilita o processamento industrial.Ponto de ebulição1.342 °CEstável em aplicações industriais e químicas.Potencial eletroquímicoMuito altoGarante alta eficiência no armazenamento de energia.ReatividadeElevadaFacilita a troca de elétrons nas baterias.Capacidade de armazenamentoAlta densidade energéticaMais autonomia com menos volume.CondutividadeBoa para íonsPermite carregamento rápido e estável.Como falamos acima, smartphones, notebooks, consoles portáteis, drones, ferramentas elétricas e sistemas de backup de energia dependem desse tipo de bateria para funcionar com autonomia, segurança e desempenho. Sem o Lítio, dispositivos móveis seriam mais pesados, menos duráveis e muito mais limitados em capacidade energética.Veículos elétricos utilizam baterias de grande porte à base de Lítio para substituir motores a combustão, enquanto usinas solares e eólicas dependem de sistemas de armazenamento para garantir fornecimento contínuo de energia. Na prática, o Lítio é o elo entre a revolução digital e a transição para uma matriz energética mais limpa.Por isso, o mineral deixou de ser apenas um insumo industrial e passou a ocupar um papel estratégico na economia global. Quem controla o acesso ao Lítio abastece mercados e influencia diretamente o ritmo de inovação, eletrificação e sustentabilidade nas próximas décadas.Reprodução/EmbarcadosAs potências do Ouro BrancoCom a disputa entre potências globais para assegurar o suprimento, cinco nações detêm o controle de mais de 90% dos recursos identificados no planeta. São elas:5. China: o domínio do refinoA China possui cerca de 7 milhões de toneladas em reservas domésticas, mas seu poder vai muito além da extração local. O país domina quase 80% da capacidade global de refino de lítio e produção de baterias.Isso significa que, mesmo que o minério saia da Austrália ou da América do Sul, ele provavelmente passará por uma fábrica chinesa antes de chegar ao seu portátil ou carro elétrico.A estratégia de Pequim envolveu a compra de participações em minas ao redor do mundo, assegurando o controle de toda a cadeia de suprimentos.4. Austrália: o líder em eficiênciaA Austrália adota um modelo diferente: enquanto os sul-americanos extraem o mineral de salmouras (lagos de sal), os australianos o retiram de rochas duras (espodumênio). Com 8 milhões de toneladas em recursos, o país é o maior produtor mundial em volume comercializado atualmente.Sua cadeia produtiva é altamente industrializada, com minas como Greenbushes servindo de referência global. A maior parte dessa produção é enviada diretamente para a China, onde ocorre o refino químico necessário para a fabricação de células de bateria.🥉 3. Chile: tecnologia e produção consolidadaEmbora tenha um volume total estimado em 11 milhões de toneladas, o Chile é conhecido pela eficiência. O país é, historicamente, quem mais lucra com a extração na região, graças às condições favoráveis do Salar de Atacama.Grandes empresas, como a SQM e a Albemarle, operam lá há décadas. Recentemente, o governo chileno anunciou a Estratégia Nacional do Lítio, visando aumentar a participação estatal nos lucros e controlar as novas concessões, o que gerou debates no mercado financeiro sobre o futuro dos investimentos privados no país.🥈 2. Argentina: o motor do triângulo do LítioVizinha da Bolívia, a Argentina tem também sua posição como uma potência em expansão na América do Sul. Com recursos estimados em 21 milhões de toneladas, o país atrai investimentos pesados de mineradoras internacionais.As regiões de Catamarca, Jujuy e Salta são o epicentro dessa atividade.Diferente da Bolívia, a Argentina já possui projetos avançados e operacionais, como o Salar del Hombre Muerto, posicionando-se para dobrar sua capacidade de exportação nos próximos anos, visando abastecer mercados que demandam componentes para hardware e automotivos.🥇 1. Bolívia: o gigante adormecidoA Bolívia ocupa o topo do ranking global quando falamos em volume total de recursos. Segundo dados recentes do USGS (Serviço Geológico dos EUA), o país possui cerca de 23 milhões de toneladas de Lítio.Localização:a maior parte concentra-se no Salar de Uyuni, o maior deserto de sal do mundo.Situação: apesar da abundância, o país enfrenta desafios de infraestrutura e tecnologia para transformar esses recursos em produção comercial em larga escala. Acordos recentes com grupos chineses buscam viabilizar essa exploração.E o Brasil no mapa do Lítio?O Brasil desponta como um jogador promissor, em particular no Vale do Jequitinhonha (MG). Com reservas estimadas em 730 mil toneladas, o país aposta no diferencial da sustentabilidade.Empresas como a Sigma Lithium lideram a exploração do chamado “lítio verde”, que utiliza energia renovável e processos com menor impacto hídrico e de carbono. Isso atrai a atenção de fabricantes de tecnologia e montadoras que precisam cumprir metas rigorosas de ESG (Environmental, Social and Governance).ResumindoPosiçãoPaísReservas estimadas (milhões de toneladas)Principal região produtoraObservação estratégica1Bolívia20 – 23Salar de UyuniMaior volume do mundo, mas com baixa produção comercial devido a desafios técnicos.2Argentina21 – 23Triângulo do Lítio (Salta, Jujuy, Catamarca)Forte crescimento, com vários projetos em fase avançada de operação.3Chile9 – 11Salar de AtacamaProdução consolidada, alta eficiência e importância histórica no mercado.4Austrália8 – 9Greenbushes e outras minas de espodumênioMaior produtor mundial em volume extraído atualmente.5China6 – 7Qinghai, Sichuan, TibetDomina o refino global, mesmo sem ter as maiores reservas.—Brasil~0,73Vale do Jequitinhonha (MG)Destaque em mineração sustentável e “Lítio verde”.Preço e tendências de mercadoO mercado de Lítio experimenta alta volatilidade. Em janeiro de 2026, a cotação internacional do carbonato de Lítio gira em torno de US$ 21.800 por tonelada (aproximadamente R$ 117.284, na conversão direta sem impostos).A expectativa é que a demanda multiplique até 2035, impulsionada pela eletrificação da frota global e pela necessidade de armazenar energia renovável. Para o consumidor de tecnologia, isso significa que o custo e a disponibilidade de baterias continuarão sendo fatores determinantes no preço final de eletrônicos e veículos na próxima década.As disputas pelo controle dessas maiores reservas lítio redefinem alianças internacionais. Enquanto a América do Sul detém a matéria-prima e a Ásia domina o processamento, o Brasil busca seu espaço como fornecedor de alta qualidade ambiental, algo cada vez mais valorizado pela indústria global.Reprodução/ReutersLeia também:China amplia restrições à exportação de terras raras e ameaça cadeia global de chipsChina anuncia novo plano de 5 anos para dominar semicondutores e IA, reduzindo dependência de exportaçõesTSMC enfrenta escassez de wafers de 2nm por causa do boom da IA e deve aumentar preços por quatro anos seguidosO que pode substituir o Lítio no futuro das baterias?Apesar de o Lítio dominar o mercado atual, a indústria de energia e tecnologia já busca alternativas para reduzir custos, dependência geopolítica e impactos ambientais. As soluções ainda estão em desenvolvimento, mas mostram caminhos possíveis para a próxima geração de armazenamento energético.As baterias de Sódio são a opção mais próxima da viabilidade comercial. O Sódio é abundante, barato e distribuído globalmente, o que reduz riscos de escassez. Embora tenha menor densidade energética que o Lítio, ele já é suficiente para aplicações como armazenamento estacionário, redes elétricas e dispositivos de menor exigência. Empresas chinesas e europeias já iniciaram produção piloto desse tipo de bateria.Reprodução/Inside EVsOutra frente promissora envolve baterias de estado sólido: elas continuam usando Lítio, mas substituem o eletrólito líquido por materiais sólidos, aumentando segurança, durabilidade e densidade energética. O objetivo neste caso não é eliminar o Lítio, mas usá-lo de forma mais eficiente, reduzindo riscos de incêndio e ampliando a autonomia de veículos elétricos. A Samsung é pioneira neste tipo de tecnologia.Pesquisas também avançam em baterias de Magnésio, Zinco e até Grafeno. Tais materiais possuem vantagens como maior estabilidade química e menor custo, mas ainda enfrentam desafios técnicos para alcançar o desempenho exigido por eletrônicos e veículos modernos.Contudo, neste momento o Lítio segue insubstituível para aplicações de alta densidade energética. As alternativas existem, mas ainda não alcançaram maturidade industrial em escala global. Isso posto, o futuro das baterias tende a ser híbrido, com diferentes tecnologias coexistindo conforme a necessidade de desempenho, custo, sustentabilidade e segurança.Fonte(s): USGS, ScienceDirect, ACS Publications, Research Gate e AnalyticaConteúdo Relacionado Força acima do comumLiga metálica ultra-resistente desenvolvida por cientistas dos EUA suporta até 800 °C sem perder a forma