O que muda no São Paulo após impeachment de Casares
17 Jan, 2026
Reprodução/X Julio Casares é presidente do São Paulo O São Paulo entrou em modo de transição. Júlio Casares teve o impeachment aprovado pelo Conselho Deliberativo na noite de sexta-feira (16) e deixou o comando do clube de forma imediata, mas o processo ainda não está encerrado. Com o afastamento, quem assume a presidência de maneira interina é o vice Harry Massis Júnior. A crise agora muda de fase: a decisão do Conselho precisa ser submetida à assembleia de sócios, que deve ser convocada em até 30 dias para confirmar ou derrubar o impeachment. Leia aqui: Casares sofre impeachment e deixa a presidência do São Paulo A votação no Morumbis mostrou uma maioria ampla a favor do afastamento. Foram 188 votos pela aprovação, 45 contrários e dois em branco, em uma sessão que expôs o peso da disputa política interna. O placar tira Casares da rotina administrativa do clube, mas não decreta, por si só, uma destituição definitiva. O rito estatutário prevê que a palavra final seja dos associados. Funciona como uma etapa de confirmação: se os sócios ratificarem a decisão, o afastamento se torna permanente e o São Paulo reorganiza o comando até o próximo processo eleitoral. Se a assembleia rejeitar o impeachment, Casares retorna ao cargo para cumprir o mandato. A convocação dessa assembleia também tem responsável definido. Cabe ao presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres, marcar a votação dentro da janela de 30 dias, o que mantém o clube sob um calendário curto e com pressão constante nos bastidores. Justiça, investigações e os efeitos fora do campo O caminho até o desfecho foi marcado por disputa sobre regras e participação. A reunião que aprovou o impeachment ocorreu em formato híbrido, com conselheiros presencialmente e à distância, depois de uma decisão judicial que garantiu esse modelo. O tema virou um dos pontos mais sensíveis do processo, porque influencia quórum e capacidade de mobilização em votações desse porte. O impeachment acontece em meio a um conjunto de apurações e desgaste institucional que se acumulou nas últimas semanas. Parte do debate político foi alimentada por investigações sobre movimentações financeiras e por suspeitas ligadas ao uso de espaços do Morumbis, com o caso do camarote ganhando destaque após a circulação de áudios que levantaram suspeitas de comercialização irregular associada a pessoas do entorno diretivo. O episódio ampliou a pressão pública e interna e abriu novas frentes de cobrança por esclarecimentos. Leia também Mudou: Corinthians antecipa estreia contra o Bahia e joga na Vila Volta Redonda x Flamengo: Palpite do Carioca 2026 Boavista x Fluminense: Palpite do Carioca 2026 Em paralelo, o Ministério Público abriu inquérito para apurar possível gestão temerária, com foco no endividamento do São Paulo. É mais um elemento que pesa no ambiente político, porque desloca a discussão do clube para além do campo e coloca a administração sob escrutínio institucional. Mesmo quando a crise é de gabinete, ela respinga na rotina do futebol. Mudanças de comando e disputa interna tendem a afetar o ambiente, o ritmo de decisões e a articulação entre áreas do clube, especialmente em início de temporada, quando ajustes de planejamento e orçamento costumam ser mais frequentes. O São Paulo tenta atravessar o período com uma blindagem mínima para o departamento de futebol, mas a combinação de investigação, pressão política e uma assembleia decisiva em até 30 dias mantém o clube sob holofotes. Até a votação dos sócios, a instituição seguirá equilibrando a necessidade de dar respostas rápidas com a obrigação de respeitar o devido processo.