‘Tirar a mordaça’: como funcionam as coletivas dos árbitros no Cearense

admin
17 Jan, 2026
Impedimento semiautomático: o que impede a estreia no Brasileirão A adoção do impedimento semiautomático nas primeiras rodadas da Série A do Campeonato Brasileiro está descartada. Crédito: TV Estadão A sensação de “tirar a mordaça” resume o impacto das coletivas da arbitragem implantadas no Campeonato Cearense. A expressão, usada por um árbitro, foi relatada por Paulo Silvio, presidente da comissão de arbitragem da Federação Cearense, ao explicar a iniciativa. “Ele me disse: a sensação que temos é que tiraram a mordaça e que agora podemos mostrar para as pessoas que somos seres humanos”, contou Silvio. PUBLICIDADE O projeto nasceu da percepção de que o árbitro sempre foi o único personagem do futebol exposto publicamente sem ter espaço para se explicar. Decisões tomadas dentro de campo ou na cabine do VAR acabam sendo debatidas por dias na imprensa e nas redes sociais, sem que o protagonista possa participar. Para o dirigente, permitir que o profissional explique um erro, algo natural no futebol, muda o tom da discussão. Um dos relatos surgiu após uma coletiva em que um juiz admitiu uma falha. “Um dos profissionais disse que pôde falar de um erro que cometeu no campo e ninguém o agrediu ou atacou. Vamos humanizar os árbitros”, afirmou Silvio. A ideia, segundo ele, não foi improvisada. Ela vem sendo estudada há alguns anos e só agora a direção da FCF aprovou o projeto-piloto. É um teste, portanto. Após uma amostra significativa, um relatório será elaborado e enviado à CBF e à Fifa. Publicidade Não foi necessário o aval dessas entidades para a realização das entrevistas, já que não há restrição em nenhum regulamento. No entanto, no primeiro jogo do campeonato, a árbitra escalada, Rejane Caetano, integrante do quadro da Fifa, não pôde falar, e o quarto árbitro conversou com os jornalistas. Nesse caso, era necessária uma autorização. Antes de colocar os profissionais diante dos microfones, a comissão montou uma estrutura de apoio, com assessoria de imprensa e acompanhamento psicológico. Houve palestras e ensaios de media training na véspera da competição. Aqueles com melhor desempenho no treinamento foram escalados para as primeiras rodadas. As coletivas seguem regras específicas, e o árbitro fala exclusivamente sobre a partida em questão, explicando decisões técnicas e disciplinares. Perguntas fora deste escopo não são aceitas. Logo na primeira entrevista, Joanilson Scarcella foi orientado por um assessor a não responder a uma pergunta sobre o que a arbitragem faria caso houvesse confusão em jogos futuros. O gesto de negativa com o dedo apareceu na transmissão e repercutiu. “Isso não é censura, são regras. A pergunta é livre, mas pedimos que seja sobre questões técnicas e disciplinares do jogo que aconteceu”, disse Silvio. O teste continua em andamento.