Como o supercomputador do INPE prevê ondas de calor no Brasil com precisão

admin
17 Jan, 2026
A previsão de ondas de calor no Brasil passou a contar com um nível de precisão inédito após o novo supercomputador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), chamado Jaci, instalado em Cachoeira Paulista (SP), entrar em funcionamento. Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra Com capacidade de processamento até seis vezes maior do que a do antigo Tupã, o equipamento permite rodar modelos matemáticos mais sofisticados e detalhados, capazes de antecipar episódios de calor extremo com antecedência e identificar regiões específicas mais vulneráveis. Na prática, o salto tecnológico ocorre porque a previsão do tempo é baseada em modelos matemáticos complexos que simulam o comportamento da atmosfera. Esses modelos precisam ser executados em supercomputadores para gerar resultados em tempo útil. Um post compartilhado por INPE (@inpe.oficial) “A previsão de tempo é baseada em uma modelagem numérica que significa que você tem um modelo matemático que é codificado em linguagem computacional e essa linguagem que gera um código. Esse código é rodado no supercomputador”, explica o pesquisador do INPE Saulo Ribeiro. Quanto maior a capacidade da máquina, maior o detalhamento possível dessas simulações. O novo sistema permite trabalhar com malhas mais finas, uma espécie de “grade” que divide o espaço do país em quadrados menores. Hoje, o modelo já opera com resolução de 10 por 10 quilômetros em escala global, com previsões de até dez dias. Isso significa que, em grandes centros urbanos, como São Paulo, é possível identificar áreas mais suscetíveis a calor extremo por bairros, algo inviável com os equipamentos anteriores. O pesquisador compara o detalhamento dos dados às fotos digitais. “Quanto mais detalhada que você queira a sua foto você tem que usar um número maior de pixels. Mais pixels significa que eu vou colocar pixels menores. Eu vou ter informação mais detalhada em cada ponto da região onde eu estou simulando”, compara Saulo. Além do poder computacional, o avanço está ligado ao desenvolvimento do novo modelo atmosférico brasileiro, o Monan, que substitui sistemas mais antigos e foi projetado para representar a atmosfera de forma mais realista. A combinação entre o Monan e o novo supercomputador coloca o Brasil em um novo patamar e permite antecipar previsões meteorológicas, inclusive para eventos extremos, como ondas de calor prolongadas, que afetam a saúde, o abastecimento de água e o consumo de energia. Segundo o INPE, o modelo já está rodando internamente desde dezembro, em fase de pré-operação, e passou oficialmente para a divisão responsável pelas previsões diárias. A expectativa é que o novo sistema seja disponibilizado ao público no primeiro quadrimestre do ano, por meio do site do CPTEC, centro do INPE que divulga previsões meteorológicas. As informações poderão ser acessadas tanto em mapas e gráficos quanto em dados brutos, de forma gratuita, por empresas, pesquisadores e pela população em geral, pelo site oficial. “O INPE, por ser um órgão público federal, tem todos os seus dados gerados publicamente e são gratuitos e acessíveis a quem quiser”. Os detalhes mais apurados das previsões do tempo também servem para ajudar órgãos como a Defesa Civil e o Cemaden, permitindo alertas mais direcionados em períodos de calor extremo. A ação ganha importância especial em tempos de eventos climáticos cada vez mais intensos e frequentes. Dessa forma, o supercomputador transforma grandes volumes de dados de satélites e observações em informações estratégicas.