Os defeitos nos espermatozoides que afetam as chances de gravidez
19 Jan, 2026
A infertilidade masculina pode ter causas menos óbvias do que se imagina. Uma delas é a chamada alta fragmentação do DNA espermático - uma condição que afeta a qualidade do material genético dos espermatozoides. Mas o que é isso, afinal? Dr. Rodrigo Rosa , especialista em reprodução humana e diretor da Clínica Mater Prime, explica que ela se diagnostica por um simples teste de esperma. "A fragmentação do DNA do esperma ocorre quando o DNA, contido dentro da cabeça do espermatozoide, danifica e os fios quebram, tornando a concepção improvável e aumentando as chances de aborto espontâneo" , destaca. "Todos os homens têm algum percentual de fragmentação, sendo considerado aceitável até 15% e em alguns exames 20%. Somente acima de 20% de espermatozoides fragmentados é que começa a interferir na fertilidade e aumento do risco de abortos", acrescenta o médico. De acordo com o médico, os testes de fertilidade verificam os parâmetros básicos de saúde dos espermatozoides, o que inclui contagem (número de espermatozoides por ml), morfologia (tamanho e forma) e motilidade (capacidade de nadar em linha reta). "Todos esses três fatores são importantes ao considerar a fertilidade masculina. No entanto, frequentemente esquecem o teste de fragmentação de DNA. Se o paciente estiver tentando engravidar por um tempo sem sucesso, o teste de fragmentação de DNA espermático é fundamental" , diz o especialista. "Esse dano ao DNA é geralmente causado por Espécies Reativas de Oxigênio (ROS) dentro das células espermáticas. As ROS produzem-se naturalmente pelas mitocôndrias, que se chamam comumente de usinas de energia ou baterias da célula. Como elas fornecem energia, algo que uma célula espermática requer muito, elas também produzem essas ROS que podem causar fragmentação do DNA. Esse dano é comumente chamado de estresse oxidativo" , ressalta. Há algumas evidências, de acordo com o médico, de que uma varicocele pode causar fragmentação do DNA do esperma. "Varicoceles ocorrem quando as veias dentro do escroto se tornam dilatadas, o que pode causar problemas com o fluxo sanguíneo para os testículos" , conta. Mas fatores ambientais, particularmente dieta e poluição do ar, também podem estar envolvidos na fragmentação do DNA do esperma. "Além disso, as escolhas de estilo de vida dos homens, como beber e fumar, contribuem para o estresse oxidativo dentro da célula espermática. A maioria das pessoas é diretamente afetada por esses problemas em suas vidas cotidianas" , explica. "O ciclismo, em excesso, também pode aumentar o índice de fragmentação do DNA espermático, sendo a única atividade física que pode impactar negativamente na fertilidade masculina (mas somente em alta frequência e intensidade)" , alerta o Dr. Rodrigo. O médico enfatiza que a alta fragmentação do DNA ocorre por estresse oxidativo e, se descoberta, geralmente trata-se com orientações para melhora do estilo de vida e principalmente uso de antioxidantes - na dieta ou com suplementos. "Há também algumas mudanças simples no estilo de vida que ajudam a reduzir a fragmentação do DNA. Primeiro, parar de fumar e reduzir ou interromper o consumo de álcool. Em segundo lugar, estudos mostraram que a obesidade leva a um risco maior de danos ao DNA do esperma em pacientes inférteis. Se IMC do paciente estiver acima de 25, aconselha-se ter uma dieta mais balanceada e aumentar os exercícios para ajudar a perder peso. Além disso, algumas evidências mostram que alimentos processados e junk food podem causar fragmentação do DNA, bem como reduzir a contagem de espermatozoides. Portanto, mesmo que o IMC esteja em um peso saudável, é aconselhável ter cuidado com os alimentos, evitando junk food, tomando o suplemento certo e se concentrando em incluir mais frutas e vegetais frescos na dieta" , finaliza. Dr. Rodrigo Rosa é ginecologista obstetra e especialista em Reprodução Humana. É sócio-fundador e diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo, e do Mater Lab, laboratório de Reprodução Humana. Membro da Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), o médico é graduado pela Escola Paulista de Medicina - Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). *Fonte: Holding Comunicação