Ana Paula Marra: a empregabilidade para pessoas em situação de rua
19 Jan, 2026
O Governo do Distrito Federal (GDF) iniciou uma mudança inédita na política de inclusão produtiva ao criar 15 cargos comissionados ocupados exclusivamente por pessoas que viveram nas ruas. A medida, parte do plano distrital para essa população, já transforma trajetórias marcadas por fome, frio, desemprego e invisibilidade em rotinas de trabalho, renda e moradia. A secretária de Desenvolvimento Social, Ana Paula Marra, reforça que cada contratação responde a uma história distinta. “Quando se fala depopulação em situação de rua, as pessoas tendem a colocar todo mundo em uma caixa só. Mas são histórias muito diferentes, muitas vezes marcadas por quebra de vínculo familiar, dificuldade de saúde mental ou dependência química. Cada pessoa precisa de resposta específica”, afirma. Para ela, a política de empregabilidade é decisiva para a reconstrução da autonomia. “A assistência social garante o mínimo para que a pessoa tenha dignidade e esperança. Mas a inclusão produtiva é o que consolida o processo. Não existe solução simples: ofertar uma vaga de emprego não basta se a pessoa ainda não está estruturada para assumir essa responsabilidade. É o GDF inteiro trabalhando de forma integrada para que ela supere a extrema vulnerabilidade.” Ana Paula Marra destaca que os cargos comissionados complementam o conjunto de ferramentas disponíveis. “Existia uma lei antiga que nunca havia sido aplicada. O governador fez o decreto garantindo 2% das vagas de empresas contratadas e também as nomeações nas secretarias. São pessoas que participam da construção da política para essa população e que têm a própria vida transformada.” Segundo ela, os resultados mostram que a estratégia avança. “Quando você olha para essas pessoas com respeito, quando alguém sabe o nome delas e entende a história que está por trás, isso muda tudo. É assim que se cria condição real para que elas entrem no mercado de trabalho e reconstruam o que perderam”, avalia a titular da Sedes-DF. Coordenador do plano, o secretário-chefe da Casa Civil, Gustavo Rocha, afirma que a diretriz central é oferecer condições concretas para que a pessoa deixe a rua de forma sustentável. “Não adianta retirar alguém de um ponto da cidade sem oferecer alternativa. A ideia do plano distrital é dar condições para que a pessoa possa sair da rua”,destaca. Ele explica que o plano foi construído com base em diagnóstico técnico envolvendo diversos órgãos. “Mapeamos o perfil dessa população e o que faltava ser oferecido: moradia,local para pernoitar, qualificação, escola para os filhos e até espaço para os animais de estimação. Sem trabalho, ninguém rompe o ciclo da rua.”