Veja o momento em que canal de TV do Irã é alvo de ataque hacker
19 Jan, 2026
Canais da televisão estatal do Irã foram hackeados no domingo (18) e passaram a transmitir mensagens de apoio às manifestações que se espalham pelo país desde o fim de 2025. Durante a invasão, a programação foi interrompida para exibição de conteúdos favoráveis aos protestos, ao governo dos Estados Unidos e ao príncipe herdeiro Ciro Reza Pahlavi. O ataque ocorreu mesmo com as restrições de acesso à internet impostas pelas autoridades iranianas. Imagens da invasão circularam nas redes sociais e mostram o momento em que transmissões oficiais são substituídas por vídeos e mensagens políticas. Nas gravações divulgadas, aparecem trechos de vídeos atribuídos a Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã, Mohammad Reza Pahlavi. As mensagens incentivam a população a manter os protestos e desafiar o governo do aiatolá Ali Khamenei. Até o momento, não há informações oficiais sobre a autoria do ataque, nem confirmação de quantos canais foram atingidos. As autoridades iranianas também não divulgaram detalhes sobre eventuais danos aos sistemas de transmissão. A atual onda de manifestações teve início em 28 de dezembro, com atos na capital Teerã, e rapidamente se espalhou para outras regiões. Os protestos são motivados, principalmente, pela crise econômica enfrentada pelo país, marcada por inflação elevada, desemprego e queda do poder de compra da população. Desde então, confrontos entre manifestantes e forças de segurança têm sido registrados com frequência, apesar das tentativas do governo de conter a mobilização por meio de bloqueios de internet e repressão policial. O governo iraniano sustenta que os protestos fazem parte de uma tentativa de desestabilização do país e acusa os Estados Unidos de financiarem os manifestantes. As acusações ganharam força após declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, que chegou a ameaçar interferir caso houvesse mortes durante a repressão. Posteriormente, ele recuou da afirmação. Teerã nega que exista uma crise interna de grandes proporções e classifica as manifestações como resultado de influência estrangeira. De acordo com a organização Ativistas de Direitos Humanos no Irã (HRA), ao menos 3.919 pessoas morreram nos últimos 22 dias, sendo 3.685 manifestantes. A ONG também afirma que mais de 24 mil pessoas foram presas desde o início dos protestos. Os dados, no entanto, não foram confirmados oficialmente pelo governo iraniano, que não divulga balanços detalhados sobre mortos e detidos durante a repressão às manifestações.