IA entra para a rotina das seleções na Copa após primeiros passos no Catar-2022

admin
6 Jun, 2026
IA entra para a rotina das seleções na Copa após primeiros passos no Catar-2022 Ferramentas de inteligência artificial auxiliam comissões técnicas da convocação à previsão de lesões A Copa do Mundo do Catar-2022 marcou o início da era da Inteligência Artificial (IA) no futebol. De lá até aqui, a tecnologia foi aprimorada e passou a fazer parte da rotina das seleções. No Mundial de 2026, todas têm acesso ao Football AI Pro, sistema de análise de desempenho disponibilizado pela Fifa em parceria com a Lenovo, mas muitas federações, especialmente as maiores, preferem opções mais específicas e personalizadas. Alemanha e Inglaterra, duas potências do futebol, além de Suécia e Áustria, utilizam o SAP Sports One, plataforma que permite monitorar desempenho físico e técnico, analisar adversários, planejar treinos, centralizar informações em tempo real e até estipular riscos de lesões. Esse tipo de ferramenta tem um papel fundamental no trabalho de comissões técnicas de seleções, até porque uma das partes mais importantes deste ofício é acompanhar as condições técnicas e físicas dos atletas em seus clube. Hoje, portanto, a IA tem papel até mesmo nas convocações, devido à sua capacidade de auxiliar na tomada de decisões. "Naturalmente pode influenciar uma convocação, ou até mesmo a prospecção de talentos,, porque permite uma visão mais precisa sobre o momento de cada atleta. Ao mesmo tempo, a decisão final continua sendo da comissão técnica. A tecnologia entrega dados, padrões e relatórios; a interpretação estratégica dessas informações continua sendo humana. Ferramentas como essas ajudam a reduzir subjetividades e diminuem a margem para decisões pouco sustentadas por desempenho", comenta Mateus Grings, consultor da SAP na Indústria de Esportes e Entretenimento. "A IA reduz a margem de injustiça ao avaliar atletas de diferentes ligas sob os mesmos critérios de dados, isolando interpretações humanizadas ou que possam conter algum sentimento", acrescenta Renan Borges, CTOda Agência End to End. "O principal ganho para o técnico na montagem do grupo não é achar o "melhor" jogador isolado, mas sim o mais compatível. A IA cruza dados do atleta com o modelo de jogo da seleção, garantindo que a escolha final seja baseada em complementaridade técnica." A seleção alemã é pioneira na aplicação de tecnologia ao futebol, e usa desde 2014, quando foi campeã do mundo em solo brasileiro, ferramentas de big data para auxiliar decisões no campo. Naquele ano, utilizou um sistema - desenvolvido em parceria com a SAP exclusivamente para a federação de futebol - que deu base às ferramentas que vieram depois. "Um sistema que integra dados, análises e inteligência artificial pode ter um impacto muito relevante no dia a dia das seleções, principalmente porque centraliza informações estratégicas e transforma grandes volumes de dados em análises acionáveis para a comissão técnica", opina Grings. No Brasil, a CBF alcançou o assunto depois da Alemanha, mas chega à Copa do Mundo de 2026 utilizando inteligência artificial em parceria oficial com o Google. A comissão técnica tem à sua disposição uma integração da ferramenta Gemini para prevenção de lesões, análise de dados e simulações de desempenho. Um acordo semelhante foi feito pelo Google com a Associação Argentina de Futebol (AFA). Durante uma Copa do Mundo, cuja duração é menor do que a da maioria das competições de clubes, receber informações em alta velocidade pode fazer toda diferença. "A principal vantagem da inteligência artificial é sua capacidade de processar milhares de informações simultaneamente", comenta Vinícius Las Casas, gestor de marketing de CUJU no Brasil, plataforma alemã que usa inteligência artificial para captação de novos talentos. "Ela pode detectar, por exemplo, sinais sutis de queda de intensidade, mudanças no comportamento de um atleta sem a bola, tendências de movimentação do adversário ou indícios precoces de desgaste físico. Em uma competição curta como a Copa do Mundo, na qual os detalhes definem resultados, esse tipo de informação pode representar uma vantagem competitiva importante para as equipes." Existem funcionalidades diferentes, mas o princípio das ferramentas do Google e da SAP é o mesmo que o do Football AI Pro, da Fifa. Segundo a entidade máxima do futebol, o sistema foi criado "não apenas para aprimorar o desempenho de elite, mas também para ajudar a equilibrar a competição em um esporte cada vez mais orientado por dados." O uso de IA na Copa vai além das seleções e abrange todo o torneio. A bola com sensor de movimento, integrada à IA para análise de lances capitais pelo VAR, e os avatares 3D criados na visualização do impedimento semiautomático são algumas das principais inovações da Fifa. Em um momento de aprimoramento bastante rápido, a inteligência artificial promete novas mudanças ao futebol até a Copa de 2030. "O próximo passo será uma IA cada vez mais automatizada e capaz de identificar tendências. Com isso ela vai conseguir gerar insights estratégicos praticamente em tempo real, reduzindo ainda mais o trabalho operacional das comissões técnicas, deixando esses profissionais se dedicarem mais tempo ao campo, focando em fatores técnicos e humanos", diz Grings. "O próximo estágio da inteligência artificial no futebol será menos descritivo e mais preditivo. Hoje a tecnologia ajuda a entender o que aconteceu; no futuro próximo, ela será cada vez mais capaz de indicar o que pode acontecer", acrescenta Las Casas.