Nova proposta de delação de Vorcaro não trouxe elementos inéditos, avaliam investigadores
8 Jun, 2026
247 - A nova proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro continua enfrentando resistência dentro da Polícia Federal (PF). Segundo informações publicadas pelo G1 nesta segunda-feira (8), investigadores avaliam que o material complementar entregue pela defesa na semana passada não trouxe elementos inéditos capazes de modificar a percepção das autoridades sobre o caso. O anexo adicional apresentado pelos advogados de Vorcaro menciona repasses ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) e ao filme Dark Horse, produção cinematográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ainda assim, integrantes da PF consideram que as informações já eram conhecidas e teriam sido incluídas mais como justificativas do que como novos elementos de investigação. A delação premiada é um instrumento jurídico que permite a investigados obterem benefícios, como redução de pena, em troca de informações consideradas relevantes para o esclarecimento de crimes e o avanço das apurações. Nos bastidores, permanece a avaliação de que Vorcaro ainda não apresentou fatos capazes de contribuir de forma significativa para as investigações em curso. Fontes ligadas ao caso afirmam que os investigadores continuam entendendo que o banqueiro busca preservar determinadas figuras públicas e que as informações fornecidas até agora acrescentam pouco ao que já foi apurado. A defesa dispõe apenas desta semana para anexar novos dados ao pedido de colaboração e tentar convencer tanto a Polícia Federal quanto a Procuradoria-Geral da República (PGR) de que ainda existem informações úteis para o aprofundamento das investigações. A palavra final sobre a homologação do eventual acordo caberá ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso. Na semana passada, Mendonça se reuniu com a defesa de Vorcaro e, segundo interlocutores, deve voltar a encontrar o advogado Sérgio Leonardo, responsável pelas negociações. Pessoas próximas ao processo afirmam que o ministro acompanha de perto os documentos e informações apresentados pela defesa. Nos últimos dias, também houve intensa movimentação entre os advogados e o banqueiro. Fontes da PF relatam que a equipe jurídica realizou reuniões diárias com Vorcaro nas duas últimas semanas, algumas delas ultrapassando seis horas de duração. A partir da próxima segunda-feira (15), entretanto, voltará a valer o limite de 30 minutos diários para encontros entre o investigado e seus defensores. Primeira proposta já havia sido rejeitada O atual impasse ocorre após a rejeição, pela Polícia Federal, da primeira versão da proposta de delação apresentada por Vorcaro no mês passado. Desde então, as negociações seguem sendo conduzidas conjuntamente pela PF e pela Procuradoria-Geral da República. Investigadores já haviam manifestado insatisfação com o conteúdo inicialmente entregue, argumentando que o material repetia informações conhecidas e não oferecia avanços relevantes para as investigações. A percepção predominante era de que o banqueiro evitava comprometer pessoas próximas. As apurações envolvendo Daniel Vorcaro ganharam novos contornos após a apreensão de oito celulares ligados ao banqueiro. Segundo fontes da investigação, análises preliminares de parte do material indicam que o caso ultrapassaria a esfera de supostas fraudes financeiras, alcançando suspeitas de corrupção, organização criminosa e utilização de uma milícia privada para obtenção de informações sigilosas e ataques a adversários. Outro ponto em negociação envolve o ressarcimento aos cofres públicos. Em 22 de maio, interlocutores de Vorcaro informaram que ele concordou em elevar de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões o valor a ser devolvido caso um acordo de colaboração premiada venha a ser firmado com a Procuradoria-Geral da República. Com o prazo final para apresentação de novos elementos se aproximando, a expectativa é de que PF, PGR e STF definam nos próximos dias o destino da proposta de colaboração do banqueiro.