Sonic mantém correia polêmica do Onix, mas GM diz que a peça mudou

admin
13 Jun, 2026
Resumo Os vendedores das concessionárias Chevrolet estão recebendo uma pergunta em comum sobre o novo Sonic: ele usa correia banhada a óleo? A dúvida é quase inevitável depois da repercussão negativa envolvendo o componente em modelos como Onix, Onix Plus e Tracker. A peça, usada nos motores de três cilindros da marca, virou alvo de reclamações de consumidores por relatos de desgaste prematuro e, em casos mais graves, danos ao motor. A resposta curta para a pergunta é: sim, o Sonic usa correia banhada a óleo. O que a Chevrolet, assim como fez na atualização do Onix, tenta mostrar é que a peça não é a mesma que ajudou a criar a má fama do sistema em outros modelos. Procurada por UOL Carros, a General Motors afirmou que o novo SUV incorpora uma formulação atualizada da correia, com mudança de fornecedor e reforço na composição. Segundo a marca, o componente agora é feito de borracha sintética nitrílica hidrogenada, revestida em teflon e reforçada com fibra de vidro. A nova correia também já está equipando as unidades atuais dos outros modelos da marca equipados com motores três cilindros. A promessa é de maior resistência a contaminantes presentes em óleos de baixa qualidade ou fora da especificação. Ou seja, o Sonic não abandona a solução que virou motivo de desconfiança, mas estreia com a peça reformulada e com cobertura condicionada ao cumprimento do plano de manutenção. Por que a Chevrolet manteve a correia A correia banhada a óleo é uma das formas de fazer o motor trabalhar no tempo certo. De maneira simples, ela funciona como uma ligação entre partes internas do motor que precisam se movimentar de forma sincronizada. Se essa sincronia falha, o motor pode perder desempenho, apresentar ruídos ou, em casos mais graves, sofrer danos internos. A alternativa mais conhecida é a corrente de comando, uma peça metálica que cumpre a mesma função. A diferença é que, enquanto a corrente é feita de metal, a correia é feita de material sintético e trabalha dentro do motor, em contato com o óleo lubrificante. É justamente essa combinação que gera vantagens e críticas. Do lado positivo, a correia banhada a óleo tende a reduzir atrito, ruído e consumo de combustível. Do lado negativo, quando há desgaste, pedaços da correia podem se misturar ao óleo e circular pelo motor, com risco de comprometer a lubrificação. A Chevrolet afirma que decidiu manter a correia no Sonic devido ao pacote de eficiência e conforto. Segundo a marca, a solução contribui para menor ruído a bordo, menor atrito interno, melhor consumo de combustível e redução de emissões. "O Sonic também se diferencia na categoria pelo menor nível de ruído a bordo e pela melhor combinação de desempenho com baixo consumo de combustível e emissões. Uma das tecnologias que contribuem para isso é a correia banhada a óleo", informou a Chevrolet. Na comparação com a corrente de comando, a GM diz que a vantagem da correia está no funcionamento mais silencioso e na menor perda por atrito. A montadora não trata a peça como um problema a ser abandonado, mas como parte da arquitetura dos motores três-cilindros. A aposta é que a atualização do componente seja suficiente para reduzir a resistência criada em torno da tecnologia. O que mudou na correia do Sonic Segundo a GM, o Sonic usa a mesma família de motores três-cilindros da Chevrolet, mas com calibração exclusiva para a proposta do produto. A marca afirma que o modelo já traz as evoluções recentes aplicadas a essa arquitetura, incluindo a nova formulação da correia. A peça, de acordo com a empresa, é feita de borracha sintética nitrílica hidrogenada, revestida em teflon e reforçada com fibra de vidro. A GM também confirma que houve mudança de fornecedor. "O Sonic é equipado com a mesma família de motores três cilindros da Chevrolet, em uma configuração com calibração exclusiva para a proposta do produto, e incorpora as evoluções recentes aplicadas a essa arquitetura, incluindo a nova formulação da correia, desenvolvida para ser ainda mais resistente a contaminantes presentes em óleos de baixa qualidade ou fora de especificação", afirmou a montadora. A cobertura informada pela marca é de até 240 mil quilômetros ou 15 anos, mas há uma condição: o consumidor precisa seguir o plano de manutenção recomendado pela Chevrolet. Essa ressalva é central para entender a discussão. A nova correia pode ser mais resistente, segundo a GM, mas a durabilidade depende do óleo correto e das revisões no prazo indicado. É aí que mora boa parte da insegurança do consumidor, especialmente no mercado de usados, pois não se conhece o histórico de manutenções. GM fala em "casos pontuais" Apesar dos relatos, a GM não reconhece uma falha generalizada na correia banhada a óleo. A montadora afirma que as reclamações são pontuais e que a maior parte dos problemas está ligada à manutenção incorreta. "Podemos afirmar que os casos são pontuais, concentrados principalmente em unidades cujo plano de manutenção não foi seguido corretamente. A empresa também esclarece que parte das ocorrências observadas no mercado está associada ao uso de óleo fora da especificação recomendada, incluindo produtos adulterados ou falsificados", disse ao UOL. O preço do óleo indicado para o Chevrolet Sonic varia, em geral, entre R$ 50 e R$ 75 por litro no varejo online. Considerando uma troca de aproximadamente quatro litros, só o lubrificante ficaria na faixa de R$ 200 a R$ 300, sem contar filtro e mão de obra. Óleos mais baratos, sem a mesma especificação ou sem procedência clara, podem ser encontrados por valores entre R$ 30 e R$ 50 por litro, o que reduziria a compra para algo entre R$ 120 e R$ 200. A economia existe, mas não compensa o risco de ter o motor danificado. O que sugere que a escolha pelo óleo errado seja uma questão de falta de informação por parte dos consumidores. Outra possibilidade é uma questão presente no manual dos proprietários desses modelos: a Chevrolet classifica como uso severo situações comuns no trânsito urbano, como tráfego lento, paradas e partidas frequentes, marcha lenta prolongada e trajetos curtos. Na prática, isso significa que muitos motoristas podem estar em um perfil de uso mais exigente do que imaginam. O plano de manutenção prevê troca de óleo a cada 10.000 km, 12 meses ou conforme o sistema de vida útil do óleo, o que ocorrer primeiro, e esse aviso pode ser antecipado conforme as condições de uso. Como o tema virou assunto recorrente nas negociações de carros usados da marca, a Chevrolet passou a oferecer uma possibilidade de restauração da garantia, mesmo que as revisões tenham sido realizadas fora da concessionária. Para isso, são feitas inspeção técnica e correção preventiva quando necessário. "Nesses casos, uma vez atendidos os critérios previstos pela marca, o cliente volta a contar com cobertura da correia até 240 mil quilômetros", informou a montadora. De acordo com apuração da coluna, durante a inspeção técnica, caso seja identificada a presença de resíduos ou indícios de descamação da correia antiga com obstrução do pescador da bomba de óleo, o suporte comercial não é concedido de forma automática. Nesses cenários, a cobertura estendida até 240 mil quilômetros fica condicionada à execução de um serviço de reparo e descarbonização preventiva, custeado pelo proprietário do veículo. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.