Como Hamilton deu a volta por cima e por que a Mercedes teme o heptacampeão
15 Jun, 2026
Como Hamilton deu a volta por cima e por que a Mercedes teme o heptacampeão Resumo Ele mesmo chegou a duvidar que esse dia voltaria a acontecer. Pessoas que trabalhavam com ele na Mercedes tinham celebrado as últimas vitórias em 2024 também com isso na cabeça. O primeiro ano de Ferrari, que terminou com eliminações ainda no Q1, não ajudou em nada a melhorar a situação. Mas Lewis Hamilton voltou a vencer na F1, com a Scuderia. E não foi uma vitória que caiu no seu colo. Hamilton é o vice-líder do campeonato após sete etapas. Esteve no pódio em outras três etapas, estava vindo de dois segundos lugares. No GP da Espanha, a Ferrari acredita que o heptacampeão teria feito a estratégia de três paradas funcionar mesmo sem o Safety Car Virtual, que o fez economizar cerca de 10s. Ele terminou quase 20s à frente de George Russell. E nada disso é por acaso. Tem muito a ver com resiliência. Porque acho que ele teve que enfrentar momentos difíceis na última temporada com a Mercedes. O começo conosco nem sempre foi fácil. Ele teve momentos difíceis em Spa-Budapeste no ano passado, quando ficou um pouco desanimado e teve dificuldades para construir um relacionamento com a equipe ou para se entenderem. Mas ele conseguiu manter a mesma energia no projeto para continuar se esforçando na fábrica. E isso claramente faz parte do resultado. Fred Vasseur, chefe da Ferrari A reconstrução de Hamilton passou por vários fatores. Mentalmente, ele precisou reconstruir a confiança em si mesmo, ou "passar por uma sequência de desconexão da matrix", como definiu o piloto após a vitória. Uma reconexão com o que realmente importava para ele, uma missão de estar o mais bem preparado fisicamente possível "para disputar com pilotos de 19 anos, que estão indo muito bem, e ainda me sentir ótimo fisicamente" e tirar o máximo do carro. Antes desse processo, eu começou assim que a última temporada acabou, Hamilton já vinha pedindo mudanças em processos na Ferrari, desde o seu famoso arquivo de Google Docs com tudo o que acreditava que precisava mudar. Ainda não está claro o que ele conseguiu rever, mas algumas mudanças surtiram efeito praticamente imediato: a troca de engenheiro de pista, que inclusive subiu com ele no pódio na primeira vitória na Ferrari, Carlo Santi (alguém que seria apenas substituto por algumas corridas e que acabou ficando), e a troca do disco de freio, algo politicamente difícil de conseguir na Ferrari, mas decisão em que ele foi apoiado por Fred Vasseur. É claro que essa geração de carros foi um dos fatores. Hamilton sente que o tempo de volta vem mais naturalmente com o regulamento atual, mas cada uma dessas mudanças foi como um tijolo para reconstruir um campeão. Tanto é, que seu antigo chefe, Toto Wolff, rapidamente passou do que chamou de "alívio" por ver a primeira vitória de Hamilton na Ferrari para o temor de que ele continue a crescer no campeonato e a aproveitar a atual falta de confiabilidade do motor Mercedes, que ‘atacou’ novamente no GP da Espanha quando o carro de Kimi Antonelli simplesmente apagou, assim como aconteceu com George Russell no GP do Canadá. Prefiro não lutar com ele pelo título, porque sei do que ele é capaz. Se ele sentir o cheiro de sangue, ele parte para cima. Já vi isso acontecer muitas vezes, quando o trem do Lewis Hamilton de repente começa a andar e aí fica muito difícil pará-lo. Toto Wolff, da Mercedes Na Ferrari, ninguém quer falar em disputa pelo título por enquanto. A avaliação é de que bater a Mercedes só foi possível porque os pneus foram protagonistas em uma tarde de intenso calor em Barcelona. Mesmo que o carro tenha sido atualizado para esta prova, a realidade segue a mesma: o motor Ferrari está muito atrás em termos de potência, e isso não mudou em Barcelona. Mas é difícil imaginar que essa será a única vitória de Hamilton nessa sua era com a Ferrari. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.