Mapa ao vivo do Instagram faz Meta ser alvo de pressão por investigação

admin
15 Jun, 2026
Mapa ao vivo do Instagram faz Meta ser alvo de pressão por investigação Resumo O Ministério da Justiça foi acionado para investigar a Meta após o Instagram liberar no Brasil uma função para compartilhar a localização de usuários ao vivo. Para a CTRL-Z, entidade por trás do pedido, o recurso é "nocivo" por facilitar a ação de perseguidores, colocar mulheres à mercê de abusadores e entregar rotinas a assaltantes. Além da segurança, a preocupação é com a privacidade, já que dados sobre deslocamento e localização podem ser usados para entrega de anúncio, treinamento de inteligência artificial ou levar à conclusão sobre o estado de saúde dos usuários. Permite que um perseguidor identifique rotinas, locais frequentados, horários de deslocamento e padrões de comportamento. Em relacionamentos abusivos, vira um instrumento de controle. A partir da localização, é possível inferir informações que o consumidor nunca compartilhou explicitamente. Se frequenta regularmente uma clínica, é possível inferir que ele tem problemas de saúde. E, mesmo que tenha consentido em compartilhar com um grupo específico, a localização pode vazar. Além disso, a Meta acessa todos os dados de localização e pode utilizá-los para fins como para direcionamento de anúncio, treinamento de IA Luã Cruz, Diretor de Litigância Estratégica da CTRL-Z A Meta atribuiu a um erro a chegada da função aos usuários e suspendeu o compartilhamento de localização do Instagram, que ficou pouco mais de um dia no ar. "Estamos cientes de que o recurso Mapa do Instagram foi disponibilizado acidentalmente para usuários no Brasil. Estamos trabalhando para corrigir isso." Após a publicação desta reportagem, a Meta reafirmou que o mapa do Instagram não está mais disponível. "Usuários no Brasil não podem mais acessar ou compartilhar sua localização no Mapa do Instagram." Fundada por Daniela Scapin, ex-head de políticas públicas da Meta, a organização enfrentar big techs no Brasil. Para a CTRL-Z, o argumento só agrava a situação, pois joga dúvidas sobre como uma função tão crítica é acidentalmente disponibilizada em um aplicativo com mais de uma centena de usuários no Brasil. Quando estava no ar, o mapa do Instagram surgia quando os usuários acessavam a área de DMs. Sem muitos detalhes, eles tinham de escolher compartilhar suas localizações: - com todos os seguidores, - "melhores amigos"; - grupo personalizado ou - ninguém. Dependendo do que escolhia, outros usuários podiam ver onde ele estava em um mapa atualizado em tempo real. "A notificação de adesão é uma pegadinha de mau gosto, sem explicações sobre os riscos, muito menos explicando sobre os usos feitos com os dados coletados. Se houvesse maior fricção, não haveria tanta gente assustada e reclamando por ter acionado a funcionalidade. Mas mais informação significa menos adesão, menos engajamento e menos dinheiro para a empresa", diz Cruz. O pedido de investigação, submetido às secretarias nacionais de direitos do Consumidor (Senacon) e Digitais (Sedigi) do MJ, citam violações da Meta a: - Constituição Federal (artigo 5o garante a inviolabilidade da intimidade, vida privada, honra e imagem das pessoas, assegurando o direito à indenização por danos materiais e morais decorrentes de sua violação); - Lei Geral de Proteção de Dados (artigo 6o cobra transparência sobre funcionamento da ferramenta exige tratamento de dados limitado ao mínimo necessário para a finalidade do serviço); - Marco Civil da Internet (artigo 7o assegura o direito ao não fornecimento de dados pessoais a terceiros sem consentimento livre, expresso e informado); - Código de Defesa do Consumidor (artigo 6o garante proteção contra práticas e cláusulas abusivas, a informação adequada e clara sobre produtos e serviços, e a liberdade de escolha); - Estatuto da Criança e do Adolescente (artigos 17o e 18o asseguram inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral, bem como preservação da imagem, identidade, autonomia e dignidade de crianças e adolescentes). Lançado iniciado nos Estados Unidos, o mapa do Instagram foi alvo imediato dos procuradores-gerais de 37 estados norte-americanos, lembra o CTRL-Z no pedido ao MJ. Em carta a Adam Mosseri, diretor do Instagram, eles disseram ver no serviço "riscos evidentes relacionados a perseguição, assédio e outras formas de abuso". O Instagram está mais uma vez priorizando o engajamento em detrimento da segurança e habilitou um recurso potencialmente perigoso sem primeiro garantir a segurança de seus usuários, especialmente das crianças Raúl Torrez, procurador-geral do Novo México DEU TILT Toda semana, Diogo Cortiz e Helton Simões Gomes conversam sobre as tecnologias que movimentam os humanos por trás das máquinas. O programa é publicado às terças-feiras no YouTube do UOL e nas plataformas de áudio. Assista ao episódio da semana completo. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.