O que são os mercados da dopamina, nova tendência que conquista a geração Z

admin
26 Jun, 2026
Resumo Passar por uma experiência sem vivenciá-la de fato, apenas pela sensação de uma recompensa rápida, ainda que ela não seja real. Esse é um hábito que vem crescendo entre os jovens da Coreia do Sul. Cada vez mais, a chamada geração Z tem aderido a uma nova tendência conhecida como mercados ou sites da dopamina. São plataformas criadas para reproduzir atividades cotidianas e proporcionar uma sensação imediata de satisfação e estímulo. O que aconteceu A proposta desses sites e aplicativos é simular experiências do dia a dia. São tarefas simples, como pedir comida, fazer compras online ou até "fumar um cigarro", sem que nada aconteça de verdade. O que importa é a experiência. O usuário entra em um aplicativo de delivery, escolhe os pratos que mais gosta e monta o pedido, mas a comida nunca chega. Em outros casos, navega por uma loja virtual, enche o carrinho de produtos e até acompanha uma entrega fictícia, embora nenhuma compra tenha sido realizada. Há plataformas que vão além. Algumas simulam pausas para fumar ou momentos de convivência, oferecendo uma sensação de companhia ou relaxamento. Por que esse fenômeno está crescendo Segundo levantamento do jornal Korea Times, o fenômeno está mais ligado à antecipação e ao ritual do que ao resultado final. A ideia é reproduzir a pequena descarga de satisfação associada a comprar algo ou pedir comida, mas sem os custos financeiros ou os efeitos do consumo real. Mesmo sendo uma experiência simulada, ela pode contribuir para a liberação de dopamina. Esse neurotransmissor é responsável por regular os mecanismos de recompensa e prazer do cérebro. O jornal entrevistou jovens que utilizam essas plataformas. Eles afirmam que a prática está longe de ser apenas uma brincadeira, funcionando como "pequenas pausas que ajudam a recarregar as energias". Para muitos, essas simulações são prazerosas e amenizam a solidão e o estresse. "Na verdade, eu não estou fumando, mas a sensação é como se estivesse fazendo uma pausa com alguém. É estranhamente reconfortante", afirmou Lee, estudante universitário de 24 anos. Por isso, o fenômeno tem chamado a atenção e sido associado ao alto custo de vida, ao estresse e à pressão econômica enfrentados pelos jovens. Em meio a esses desafios, muitos sul-coreanos buscam formas acessíveis de entretenimento e alívio emocional. O que explica esse comportamento Segundo Kim Heon-sik, professor da Universidade Jungwon, esses sites refletem o desejo de experimentar uma sensação de satisfação ou uma atmosfera semelhante à da vida real sem participar efetivamente dela. Especialista destaca que boa parte do prazer associado ao consumo não está no produto em si, mas na expectativa da recompensa. É justamente nesse momento que ocorre uma das maiores liberações de dopamina. Para muitos jovens, até mesmo uma sensação mínima de presença compartilhada pode fazer diferença. "Esta é uma era marcada pela incerteza em relação ao futuro e pelo esgotamento. As pessoas tendem a encontrar conforto simplesmente ao se sentirem minimamente conectadas online", afirma Kim. Muitos usuários argumentam que não recorrem a esses sites porque eles sejam melhores do que a experiência real. Eles os utilizam porque a experiência real se tornou mais cara, mais difícil ou mais estressante. Apesar de parecer inofensivo, o fenômeno levanta questionamentos sobre os hábitos de uma geração que busca pequenas doses de conforto em uma realidade marcada por pressões econômicas, excesso de trabalho e hiperconectividade. Nas redes sociais, as reações se dividem entre quem considera a prática uma forma criativa de lidar com o estresse e quem a vê como um sinal preocupante de substituição das experiências reais por versões simuladas. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.