UM BALANÇO DA GESTÃO À FRENTE DO SEGUNDO MAIOR TRIBUNAL DO BRASIL

admin
30 Jun, 2026
LUIZ CARLOS DE AZEVEDO CORRÊA JÚNIOR Desembargador, presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) No último dia de sua gestão à frente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais – já que amanhã a nova direção do TJMG toma posse –, o presidente, desembargador LUIZ CARLOS DE AZEVEDO CORRÊA JÚNIOR, em entrevista EXCLUSIVA ao D&J Minas, faz um balanço de seu mandato, fala de suas realizações, legado e planos futuros. O senhor está encerrando, hoje, seu mandato como presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Quais foram os principais desafios desses dois anos à frente do Judiciário mineiro?Os desafios foram muitos. Somos o segundo maior Tribunal de Justiça de grande porte do país, atrás apenas do TJSP. Temos mais de 1,2 mil juízes e juízas e aproximadamente 13 mil servidores e servidoras, espalhados por 298 comarcas. Minas é um estado plural em todos os sentidos e a administração deve levar isso em consideração. Ao lado dessa realidade multifacetada, estamos enfrentando o fenômeno da multiplicação das demandas. De um lado, há a indicação de que a população confia no Judiciário estadual, mas, sob outro prisma, essa procura impõe ao gestor a adoção de medidas que proporcionem o enfrentamento qualificado das novas ações. Em termos de quantitativo de processos, de comarcas, de novos Fóruns, de juízes, pode fazer um balanço dos principais indicadores do TJMG se comparada a atualidade com o início de seu mandato?Na atual gestão, nomeamos mais de 50 novos juízes e juízas, e admitimos mais de uma centena de servidoras e servidores. Conseguimos em 2025 julgar mais processos do que recebemos – 2 milhões recebidos e 2,3 milhões julgados. Diariamente, são distribuídos, em média, na primeira instância, 17 mil novas ações, e chegam ao Tribunal, também por dia, aproximadamente 1,5 mil novos recursos. Enfrentar essa crescente demanda e apresentar resultados exige muito trabalho e dedicação. Em virtude dos limites fiscais, não podemos majorar a estrutura. Por isso, apenas instalamos uma vara de violência doméstica em Uberaba, com a utilização do cargo de juiz auxiliar lá existente, e uma unidade dos Juizados Especiais em Nova Serrana. Mas criamos núcleos de cooperação, secretarias unificadas e centrais de processamento eletrônico. Além disso, estamos substituindo o Pje pelo eproc, que é um sistema que prima pela automatização. Temos que fazer mais com o mesmo, ou mais com menos. O caminho a ser traçado é o da inovação. Quais foram as principais realizações e conquistas de seu mandato para os magistrados? E para os jurisdicionados?No meu discurso de posse me comprometi a valorizar a magistratura mineira e o corpo de servidores de nosso Tribunal, e muito trabalhei nesse sentido. Esses atos não beneficiam apenas a estrutura interna, pois impactam na qualidade do trabalho e na produtividade. Os números favoráveis do Tribunal na atual gestão são reflexo dessa valorização do público interno. O senhor foi o 56o presidente nos 150 anos do TJMG e, ao mesmo tempo, a inteligência artificial se desenvolveu, com enorme agilidade, nesses dois anos. No seu mandato, o que o Judiciário mineiro evoluiu em relação ao uso da IA?Avançamos muito no uso da inteligência artificial. Criamos um grupo executivo para tratar do tema e disponibilizamos aos juízes e às juízas ferramentas que facilitam e agilizam o trabalho. Mas temos que continuar essa evolução, pois a cada dia surgem novas facilidades. O avanço tecnológico nessa área é quase diário e não podemos nunca perder de vista que a última palavra será dada por um humano. Qual principal legado o senhor deixa para seu sucessor, desembargador Vicente de Oliveira Silva, que assume a presidência do TJMG amanhã, 1o de julho?Acredito que o maior legado é um Tribunal unido e pacificado. Em dois anos de gestão, não tivemos qualquer rusga interna. Ao contrário, foi um período de muita paz. As divergências são naturais e fazem parte dos colegiados, mas devem ser tratadas com respeito e espírito republicano. Desde o início desta gestão, demos um tratamento de acolhimento e escuta a todo o público, interno e externo. O relacionamento institucional harmonioso e produtivo mantido pelo Tribunal com todos os atores das cenas jurídica e política muito nos orgulha. Considerando que o novo presidente do TJMG fazia parte de sua administração, na qualidade de superintendente administrativo adjunto, o que espera de sua gestão em relação aos projetos implantados e iniciados pelo senhor?Fizemos uma gestão a quatro mãos. Além de amigos fraternos, temos uma história de trabalho conjunto. Na verdade, nos atos internos da administração, não havia um presidente e um superintendente, mas sim duas pessoas trabalhando juntas com o mesmo ideal. Os projetos da gestão também são do desembargador Vicente, e muitos deles foram criados e gerenciados pelo então superintendente. Diante disso, acredito que teremos não apenas a continuidade dos atos da gestão, mas muitos avanços. Quais são seus planos agora que deixa a presidência do TJMG?Voltar para a minha câmara de origem, a 6a Câmara Cível, e julgar processos. Ao assumir a presidência do Tribunal, afirmei que era um juiz que passava a exercer as funções do cargo. Agora, sou um juiz que volta para a jurisdição, depois de dois biênios, na Corregedoria e na presidência. Vou fazer o que faço desde 1992, quando ingressei na magistratura, com muita alegria e o sentimento de que continuarei a cumprir o meu dever. E também muito feliz pela oportunidade que tive de fazer a minha parte, como muitos outros, sempre com foco no engrandecimento da Justiça mineira.