Fiocruz abre caminho para nova vacina universal contra a malária; confira

admin
2 Jul, 2026
Compartilhar matéria Cientistas da Fiocruz identificaram um conjunto de fragmentos de proteínas do parasita Plasmodium que pode contribuir para o desenvolvimento de uma vacina contra a malária com potencial para proteger contra diferentes espécies do microrganismo e atuar em várias fases da infecção. Os resultados foram publicados nesta quarta-feira (1o) na revista Nature. A pesquisa identificou alvos presentes tanto no Plasmodium falciparum quanto no Plasmodium vivax, as duas principais espécies responsáveis pela doença em humanos. Atualmente, as vacinas aprovadas têm eficácia limitada e são voltadas principalmente para o P. falciparum. Leia Mais - Estudo descobre 45 novas toxinas da salmonella que podem virar antibióticos - Febre amarela e proteção integral - Locais que primeiros humanos viveram na África foram moldados pela malária O estudo investigou como o sistema imunológico reconhece o parasita. Em vez de focar apenas na produção de anticorpos, os pesquisadores analisaram a atuação dos linfócitos T CD8+, células de defesa capazes de identificar e destruir células infectadas. Há mais de 50 anos se tenta desenvolver uma vacina contra a malária e, só recentemente, tivemos aprovados imunizantes com eficácia limitada, voltados principalmente para o P. falciparum e para crianças. Um dos principais desafios sempre foi encontrar bons alvos vacinais”, explica a pesquisadora Caroline Junqueira, da Fiocruz Minas, coordenadora do estudo. Segundo ela, o trabalho mostrou que os linfócitos T CD8+ também têm participação importante no combate ao parasita e permitiu identificar quais proteínas são reconhecidas pelo sistema imunológico. Na primeira etapa da pesquisa, os cientistas identificaram pequenos fragmentos de proteínas do parasita, chamados peptídeos, que ficam expostos na superfície das células infectadas e podem ser reconhecidos pelos linfócitos T CD8+. Para isso, utilizaram a técnica de imunopeptidômica, que combina imunologia e proteômica para mapear os antígenos apresentados ao sistema imune. Trabalho de identificação Ao todo, foram identificados 453 peptídeos derivados de 166 proteínas do parasita. Em seguida, os pesquisadores analisaram a origem desses fragmentos e verificaram que a maior parte deles era formada por proteínas conhecidas como housekeeping, responsáveis por funções essenciais para a sobrevivência do parasita. Como essas proteínas permanecem presentes em diferentes fases do ciclo de vida e são conservadas entre diferentes espécies, elas podem representar alvos para uma vacina com atuação mais ampla. “ssas proteínas são necessárias em todos os estágios do ciclo de vida do parasita e são altamente conservadas entre diferentes espécies. Isso as torna alvos muito interessantes para uma vacina universal”, explica Junqueira. Leia também: Vacina contra vírus sincicial respiratório para gestantes protege bebês Na etapa seguinte, a equipe avaliou se os peptídeos identificados eram reconhecidos pelo sistema imunológico. Os testes mostraram resposta de células de pacientes infectados por P. vivax e P. falciparum. Os pesquisadores também observaram resposta imunológica em outras três espécies de Plasmodium, incluindo aquelas que infectam primatas e camundongos. “Confirmamos a resposta imunológica em cinco espécies diferentes e em múltiplos hospedeiros, incluindo humanos naturalmente infectados, humanos submetidos à infecção experimental e modelos animais, tanto em camundongos quanto em primatas”, afirma a pesquisadora. Os experimentos foram realizados com amostras humanas e modelos animais. Em primatas e camundongos, os antígenos também estimularam a resposta de células T no fígado, onde ocorre a fase inicial da infecção, e no sangue. TópicosFiocruzMaláriaVacina Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por thomaz.sousa