Ciência aponta que pausa para hidratação na Copa do Mundo é ineficaz

admin
6 Jul, 2026
Compartilhar matéria Apesar de serem cientificamente eficazes, as pausas para hidratação durante as partidas de futebol da Copa do Mundo de 2026 é realizada de uma maneira que não visa, principalmente, a saúde dos jogadores. As diretrizes médicas da FIFA alegam que as pausas têm o objetivo exclusivo de prevenir doenças relacionadas ao calor excessivo e são utilizadas quando o estresse térmico ambiental ultrapassa um limite de temperatura bulbo úmido e globo de 32 °C. Apesar disso, especialistas argumentam que a Federação está errando o propósito, pois o resfriamento deve evitar os riscos de estresse térmico e planejadas em função de um resfriamento eficaz, mas a instituição aparenta estar visando os horários de transmissão e pressões comerciais, segundo especialistas. A análise foi feita pela redação da revista Nature, com base no estudo publicado no periódico Journal of Science and Medicine in Sport e pode ser acessado neste link. Leia Mais - Campeões mundiais pelo Brasil defendem pausa para hidratação na Copa 2026 - Pausa para hidratação na Copa: quem são os verdadeiros vencedores? - Pausa para hidratação: entenda por que FIFA precisou adotar medida Harry Brown, pesquisador sobre o efeito do calor na saúde e no desempenho, afirma que apesar de as pausas serem comprovadas pela ciência, elas precisam ser realizadas de maneira correta. “As pausas, que deveriam ser ajustadas ao estresse térmico ambiental, parecem estar atreladas à programação da televisão e à receita publicitária. Os críticos reclamam que o tempo destinado ao resfriamento é usado para instruções táticas, e os jogadores recebem orientações enquanto estão sob o sol, em vez de na sombra”, afirma o pesquisador. Brown afirma que há discordância entre a teoria e a prática instauradas pela FIFA, pois as pausas acontecem independentemente das condições climáticas em todas as partidas, até mesmo em estádios climatizados. Essa abordagem de tratar as condições de todos os jogos igualmente pode enfraquecer a segurança contra o calor, elas deixam de serem significativas, tornando-se apenas algo padrão. A exaustão dos jogadores é comum e evitável. Harry Brown relata que, em experimentos realizados por ele e sua equipe, simulam uma partida de futebol de 90 minutos em um ambiente com 40 °C de calor e 41% de umidade. Nos experimentos, diferentes abordagens de resfriamento foram testadas, como pausas curtas, resfriamento ativo e períodos longos de recuperação. O pesquisador afirma que as pausas curtas durante a partida contaram com toalhas com gelo e bebidas frias, com uma pausa um pouco maior no intervalo demonstraram uma redução considerável na temperatura corporal central e no esforço cardiovascular, enquanto as pausas sem resfriamento demonstraram pouca eficácia. Medidas mais eficazes para a pausa de hidratação O pesquisador sugere que, para uma hidratação que realmente foque na saúde dos atletas, a principal medida que deve ser tomada é estabelecer limites baseados na fisiologia dos jogadores, realizando restrições com embasamento científico e mediando o tempo real do estresse térmico ambiental. Além disso, o resfriamento ativo durante os intervalos deve se tornar obrigatório, em locais com sobre, utilização de toalhas geladas e líquidos frios. O intervalo também deve ter um propósito, com um limite de tempo das instruções táticas que não tomam todo o momento de pausa, além da limitação dos intervalos comerciais. *Sob supervisão de Thiago Félix TópicosCopa do MundoCopa do Mundo 2026FifaHidrataçãoseleção brasileira Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN Brasil por laurynamaral