Volkswagen confirma que pretende cortar 100 mil postos de trabalho na Alemanha para aumentar competitividade

admin
13 Jul, 2026
O CEO da Volkswagen, Oliver Blume, admitiu que os cortes na empresa podem chegar a 100 mil na Alemanha para igualar a competitividade das rivais. A afirmação foi feita em memorando interno enviado aos funcionários e é a primeira vez que a empresa, que havia se recusado a comentar sobre os cortes, confirma estar considerando um corte dessa dimensão. No Brasil, a montadora afirma que não há previsão de demissões. Blume tenta acelerar a reestruturação da maior montadora da Europa, cujos lucros vêm sendo pressionados pelos bilhões de euros em custos com tarifas, pela forte concorrência na China e pela necessidade de tornar a rede de fábricas na Alemanha mais eficiente. A empresa já acertou o corte de 50 mil vagas em todo o grupo, incluindo as subsidiárias Porsche e Audi, mas ainda precisa reduzir custos. Segundo o memorando obtido pela Reuters, a montadora calcula operar com uma desvantagem de cerca de 20% em relação a concorrentes comparáveis. "Atualmente estamos avaliando, em todas as marcas, empresas e regiões, quantos ajustes são realmente necessários e viáveis", afirmou Blume no comunicado. O memorando foi divulgado após representantes dos trabalhadores cobrarem explicações da administração sobre os planos de reestruturação que Blume apresentou ao conselho de supervisão da empresa na última quinta-feira (9). O conselho rejeitou, por 12 votos a 7, a proposta de reestruturação da companhia apresentada pela administração, após a oposição dos representantes dos trabalhadores. Fontes ligadas à empresa disseram à Reuters que a proposta incluía cortes de empregos e o fechamento de quatro fábricas. No mesmo dia, a Volkswagen informou que cortará pela metade o número de modelos da montadora para reduzir custos e aumentar a competitividade com empresas chinesas. A montadora afirmou à Folha, que a iniciativa não tem impacto imediato nas operações no Brasil, onde as atividades seguem normalmente. A empresa disse também que segue com o plano de investir R$ 16 bilhões até 2028 no país e o desenvolvimento de 17 novos carros para o mercado nacional, com nove deles já lançados. "Como uma próxima etapa, trabalharemos junto à nossa matriz, na Alemanha, para avaliar se haverá necessidade de ajustes em nível local", acrescentou a Volkswagen. O Brasil é o 3o maior mercado em volume de vendas para a marca no mundo, atrás apenas da China e Alemanha. Em 2025, a Volkswagen do Brasil produziu 538.657 veículos nas três fábricas do país. "Até o momento, ainda não conseguimos confirmar modelos de negócios competitivos para as fábricas de Emden, Hanover, Zwickau e Neckarsulm na década de 2030", afirmou Blume no documento. O executivo afirmou preferir "soluções inteligentes" ao fechamento de unidades. Entre as alternativas já mencionadas por ele estão o uso das fábricas pela indústria de defesa ou a produção, na Europa, de modelos da Volkswagen desenvolvidos na China para aproveitar instalações hoje subutilizadas.