Pesquisador de São Paulo destaca conexão histórica entre Mazagão Velho e Marrocos

admin
22 Jul, 2026
Pesquisador de São Paulo destaca conexão histórica entre Mazagão Velho e Marrocos Professor da Unifesp visita a vila histórica e aponta que estudos fortalecem a compreensão sobre a ancestralidade da comunidade e ampliam o intercâmbio entre a Amazônia e o norte da África A programação dos 249 anos da Festa de São Tiago, em Mazagão Velho, recebeu a visita do professor doutor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e pesquisador do grupo Lincart Africas, Mahfuz Ag Adnane , que participou de atividades na vila histórica e destacou a importância científica, cultural e histórica do município para o fortalecimento das relações entre o Amapá e o Marrocos. A visita integra uma agenda de intercâmbio acadêmico e cultural promovida durante a festividade, que reúne pesquisadores, turistas e moradores em torno de uma das mais importantes manifestações culturais da Amazônia. Durante a passagem por Mazagão Velho, Adnane explicou que a ligação entre a comunidade amapaense e o norte da África vai além dos registros tradicionais da colonização portuguesa. “A cidade originária no Marrocos se chamava Marsa Mazagan, o Porto de Mazagão. Essa história precisa ser conhecida porque fortalece os laços históricos, culturais e sociais entre os dois povos”, afirmou o pesquisador. Segundo o professor, estudos recentes indicam que grande parte das famílias que chegaram à Amazônia no século XVIII possuía origem Imazighen (berbere), contribuindo para a formação da identidade cultural preservada até hoje em Mazagão Velho. “É um projeto importante que pode fortalecer parcerias culturais e ampliar o conhecimento sobre a ancestralidade da população local. Estamos falando de uma história viva, preservada por gerações”, ressaltou Adnane. O pesquisador também chamou atenção para outra conexão entre a África e a Amazônia, desta vez do ponto de vista ambiental. Integrante do projeto ‘Desertos e Florestas’, ele destacou que estudos comprovam que partículas de poeira do Deserto do Saara atravessam o Oceano Atlântico e contribuem para a fertilização da Floresta Amazônica. “São dois biomas que se conectam. A África é o berço da humanidade e precisamos fortalecer essas relações arqueológicas, históricas e geológicas”, destacou. Além das pesquisas apresentadas durante a visita, os participantes acompanham a programação dos 249 anos da Festa de São Tiago, realizada até o dia 28 de julho. Entre os principais momentos estão a Alvorada Festiva, o Baile de Máscaras, a Missa Solene, o Círio e as tradicionais encenações da batalha entre cristãos e mouros, consideradas o ponto alto da celebração. A programação também inclui apresentações culturais, atividades voltadas às crianças, manifestações religiosas e atrações musicais no Balneário de Mazagão Velho, consolidando a festa como um dos maiores eventos de valorização do patrimônio histórico e cultural do Amapá. Deixe seu comentário Publicidade