Como assim a escola não ensina a falar inglês?

admin
26 Jul, 2026
Imagem gerada por IA Existe no Brasil uma discrepância entre a expansão do ensino de inglês e bom desempenho em executá-lo. Apesar do crescimento do número de escolas que ofertam alguma modalidade de ensino bilíngue , o nível de inglês da população mantém-se fraco. O investimento privado e as propostas de expansão para a rede pública avançam, mas sem correspondência nos resultados. A origem deste impasse remete-nos à decisão regulatória de 1997 e 1998. Os Parâmetros Curriculares Nacionais ( PCN s) atestavam que o ensino da oralidade em línguas estrangeiras não era uma necessidade para a maior parte do povo brasileiro. Somava-se à dificuldade a carga horária reduzida, as turmas cheias e heterogêneas e a falta de professores com conhecimento avançado da língua. Com o advento da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), tentou-se inverter este cenário ao focar na conversação, na fala, e na compreensão do inglês como língua franca. A dificuldade, porém, continua na escassez de docentes preparados. Apenas 45% dos professores de inglês da rede pública têm formação acadêmica na área e somente 33% possuem certificação internacional de proficiência. Mais de 70% dos alunos continuam a ter aulas com profissionais sem habilitação adequada. A solução de Primeiro Mundo Na virada do milênio, em virtude da maior integração política dos países-membros da União Europeia, surgiu por lá uma abordagem pedagógica que integra o ensino de inglês ao de conteúdos escolares. Ela foi gestada na Finlândia e foi muito bem recebida e propagada por países com deficiência crônica no ensino desse idioma, como a Espanha. É chamada de Aprendizagem Integrada de Conteúdos e Língua (Content and Language Integrated Learning – CLIL ). E foi de lá que os educadores brasileiros trouxeram a inovação da educação bilíngue . Infelizmente, a adoção de uma nova abordagem não resolve o défice pedagógico do nosso país. Adotar materiais escolares com didática europeia não substitui a deficiência na preparação dos nossos professores nem a carência por mais professores. Sem um forte programa de capacitação linguística e metodológica contínuo, que poderiam ser fornecidas pelas próprias empresas que vendem os seus programas bilíngues, a sua mera adoção torna-se ineficaz. As licenciaturas universitárias nacionais, com raríssimas exceções, continuam sem responder a essa exigência emergencial do mercado. O acesso ao ensino bilíngue abrange apenas 3% da rede privada. Os restantes 97% e a totalidade do ensino público permanecem retidos no modelo tradicional e entediante de gramática e tradução. Desde 1961, as sucessivas alterações à lei alternaram exigências ou não de se ensinar inglês nas escolas. Nenhuma delas resolveu o problema da capacitação dos professores. A promessa de uma sonhada fluência generalizada em língua inglesa pelos brasileiros permanece um objetivo difícil de ser realizado. A menos que haja uma transformação profunda na formação docente e das licenciaturas em Letras. Pelo que vemos até agora, este dia ainda vai tardar.