Missão para salvar telescópio espacial da Nasa também precisa ser salva
31 Jul, 2026
A espaçonave Link, lançada para salvar um telescópio espacial da Nasa, agora também precisa ser salva. Na tarde do último dia 25, a nave de resgate estava a poucos quilômetros do seu alvo, o Observatório Neil Gehrels Swift. Porém, inesperadamente, ela começou a girar, pondo a missão em risco. "Foi uma situação muito grave", disse Ghonhee Lee, diretor-executivo da Katalyst Space Technologies. A empresa da cidade de Flagstaff, no estado do Arizona, foi a responsável por construir a nave, cujo tamanho equivale ao de uma geladeira. Engenheiros tentam desacelerar a rotação de Link, que completava uma volta a cada 40 segundos. Apesar de seu estado debilitado, a nave ainda deve ser capaz de cumprir seu objetivo: rebocar Swift, de 1,6 tonelada, até uma órbita mais alta. Lançado em 2004, Swift é utilizado para observar explosões de raios gama —flashes brilhantes de luz de alta energia provenientes de algumas das explosões mais violentas do Universo. O telescópio superou, e muito, a sua vida útil. Mas o máximo solar, no fim de 2024, acabou sendo mais forte do que o esperado. Um Sol mais ativo emite mais erupções solares que aquecem a atmosfera superior da Terra, fazendo com que ela se expanda e aumente o arrasto sobre os satélites. A Nasa percebeu, então, que poderia perder Swift em breve. A saída foi procurar empresas que apresentassem uma solução para salvá-lo. A Katalyst venceu o contrato e construiu a nave Link em nove meses. Sabia-se que o resgate seria uma operação de alto risco. Por causa do cronograma apertado, a missão não passou pelos anos de testes e análises que missões da Nasa normalmente encaram. "Ainda existem caminhos possíveis para um impulso, estamos trabalhando com a Katalyst", disse o diretor da divisão de astrofísica da Nasa, Shawn Domagal-Goldman, na quarta-feira (29), em um comunicado. "Sabíamos que tentar essa missão em um cronograma tão curto e sem precedentes seria muito desafiador. Mas também sabíamos que valia a pena tentar." Lee afirmou que o encontro de Link com o telescópio provavelmente foi adiado em algumas semanas, para o fim de agosto. A ideia é que a nave de resgate primeiro faça observações de Swift antes de tentar capturá-lo. Apesar do contratempo de sábado, ainda deve haver tempo suficiente para salvar Swift antes que o atrito do ar o arraste para sua destruição. O telescópio está a pouco mais de 320 quilômetros acima da superfície da Terra, caindo cerca de 2,4 quilômetros por semana, segundo Lee. Mas esse ritmo de queda deve acelerar à medida que ele encontrar partes mais densas da atmosfera, tornando um resgate ainda mais difícil. Tudo vinha ocorrendo bem desde o lançamento da Link, em 3 de julho. No sábado, o centro de operações da missão da Katalyst em Broomfield, no estado do Colorado, perdeu contato com a nave. Isso era esperado. Em uma operação de baixo custo —US$ 30 milhões—, a empresa não dispunha de recursos para manter comunicação ininterrupta com sua nave. Esses apagões normalmente duram de 30 a 60 minutos. E mesmo intervalos de 3 a 4 horas não são incomuns, segundo Lee. Mas o silêncio se estendeu por um dia. E alguns fragmentos de dados que chegaram mostraram que Link estava girando. "Isso foi um choque para a equipe", afirmou o diretor-executivo da Katalyst. Constatou-se que os problemas iam além do giro. Duas das três rodas de reação da nave —discos giratórios usados para orientá-la— pararam de funcionar. Além disso, os propulsores de controle de reação, que disparam jatos de gás, passaram a operar de forma inconsistente. Durante o apagão, a própria nave reiniciou seu sistema elétrico, provavelmente causando pelo menos parte dos problemas. "Desligar as rodas de reação de forma descontrolada é basicamente como puxar o plugue delas", comparou Lee. "Elas não foram projetadas para operar assim." Outras notícias foram mais tranquilizadoras. O sistema de propulsão principal, que usa campos elétricos para acelerar átomos de xenônio carregados, funciona sem problemas. Esses propulsores elétricos podem ser girados e agora estão apontados em uma direção para desacelerar a rotação de Link. Sistemas como os rádios de comunicação e os três braços robóticos que devem capturar a Swift também parecem estar intactos. Os engenheiros da Katalyst e da Nasa ainda não sabem o que deu errado durante o apagão. Dentro de alguns dias, conforme a rotação de Link diminuir, um canal de comunicação de alta velocidade enviará dados da nave detalhando o que aconteceu. Os engenheiros da Katalyst esperam conseguir reativar as rodas de reação que pararam de girar e os propulsores a gás. Se essa tentativa não der certo, Lee afirmou que o sistema de propulsão elétrica pode servir como substituto. "Por isso, estamos tão confiantes de que isso não acabou. Não vamos desistir."