Macacos podem ter pets assim como os humanos, revela estudo de Oxford
1 Aug, 2026
Resumo Um estudo internacional liderado pela Universidade de Oxford e publicado na revista Primates revela que macacos e outros primatas formam interações amigáveis e carinhosas com animais de outras espécies, assim como humanos fazem com seus pets. O que aconteceu A pesquisa desafia a ideia de que só os humanos desenvolvem laços afetivos com outras criaturas. Ela compilou 427 casos e indica que esses comportamentos podem ser blocos evolutivos do companheirismo humano-animal. Os resultados mostram que curiosidade, tolerância e cuidados atravessam a barreira das espécies há milhões de anos. Macacos e grandes primatas brincam, carregam e até adotam outros animais sem ganho prático evidente. Os pesquisadores analisaram 303 casos da literatura científica, 58 reportagens e 66 respostas de primatólogos. Eles documentaram 88 espécies de primatas interagindo com 127 espécies diferentes, sendo 55 não-primatas. Algumas situações observadas: - Macacos-de-cauda-curta limpando cães domésticos na Tailândia - Langures-cinzentos-tufo acariciando esquilos-gigantes no Sri Lanka - Jovens macacos-de-nariz-arrebitado brincando com porcos domésticos na China - Macacos-prego-amarelos adotando e cuidando de filhote de sagui por meses no Brasil Os humanos há muito tempo são considerados únicos por formarem relacionamentos sociais próximos com outras espécies. Nosso estudo mostra que muitos primatas também exibem uma curiosidade, tolerância e até cuidados notáveis em relação a animais que não são da sua própria espécie. Esses comportamentos não equivalem a ter animais de estimação como conhecemos, mas podem representar alguns dos blocos de construção evolutivos dos quais o companheirismo humano-animal eventualmente surgiu Dr. Cyril Grueter, professor da Escola de Antropologia e Museologia da Universidade de Oxford Animais de espécies diferentes costumam se juntar por motivos como segurança ou comida. Primatas, porém, vão além: dormem juntos, brincam e cuidam sem recompensa imediata. A curiosidade social e disposição para amizades entre espécies lembra o comportamento humano com pets. Nem todas as interações terminam bem. Segundo texto da Universidade de Oxford, os cientistas registraram 13 casos em que o animal parceiro morreu. Em uma situação, um babuíno macho na Arábia Saudita carregou um filhote de cachorro por longos períodos, o que sugere manipulação excessiva. Entender essas relações ajuda a melhorar o manejo de grupos mistos em zoológicos e santuários. Os autores destacam novas perspectivas sobre a evolução da empatia e da flexibilidade social nos primatas e incentivam que primatólogos registrem essas interações de forma mais sistemática em estudos de campo. Veja também Deixe seu comentário O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.