Redata pode impulsionar ecossistema de data centers, diz diretora da Ascenty
28 Aug, 2026
A diretora de gestão energética da Ascenty, Marcela Martins, acredita que o Redata (PL 278/2026) pode ser um gatilho para o desenvolvimento do ecossistema de data centers no Brasil, em especial na cadeia de energia e de infraestrutura. Em conversa com Mobile Time durante o Lefosse Energy Day 2026 na última quarta-feira, 26, a especialista explicou que o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter pode ser um incentivo para grandes projetos nesses dois segmentos. Importante dizer que, a partir do momento em que um player (como um hyperscaler) decidir instalar um centro de dados atraído pelo benefício tributário, essa empresa precisará informar qual será a sua demanda por energia. Na outra ponta, as geradoras de energia precisam iniciar obras físicas de novos parques eólicos e solares – que demoram entre 18 e 24 meses para ficarem prontos. Martins também acredita que o Redata vai atrair investimentos em energia por ser a última peça que falta nesse quebra-cabeça, uma vez que o Brasil possui: - Conectividade para data center, com três cabos submarinos; - Mão de obra especializada, que pode ser treinada; - Mercado livre de energia e abundância de fontes renováveis; - Demanda real de grandes consumidores interessados em se instalar no Brasil; - Ambiente tributário que, com a Reforma Tributária e no Redata, pode favorecer esses investimentos. “Portanto, o Brasil tem total capacidade de trazer esses players. Agora, só precisa de boa vontade para orquestrar esses cinco pontos e poder trazer essa indústria para o Brasil aproveitar essa onda”, completou. Entenda o Redata O Redata foi sancionado via Medida Provisória no ano passado, mas dependia de aprovação no Congresso Nacional para sua efetivação total. A aprovação não aconteceu em tempo hábil. Para não caducar, o líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE), apresentou um projeto de lei que foi aprovado pelos deputados em 25 de fevereiro deste ano. Mas o projeto ficou parado no Senado desde então. Na última quarta-feira, 26, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acertou com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), um esforço legislativo para votar projetos importantes para o Brasil, inclusive o Redata, na próxima semana. Logo após definirem a agenda, Lula disse, ao lado de Alcolumbre e Motta, que o Redata tem potencial para atrair R$ 500 milhões em investimentos. Ajustes Para Raphael Gomes, sócio do segmento de energia da Lefosse, o Redata precisaria de “ajustes finos”, como a definição correta de “renovável” e “autoprodução”. Hoje, o texto exige que os projetos que receberão os benefícios de tributação devem usar energia renovável ou de autoprodução, mas não deixa claro se isso engloba geradora hidrelétrica (que é limpa e barata) ou apenas eólicas e solares. Sem essa definição, a expectativa de um investimento pode ser prejudicado se o governo não considerar a hidrelétrica como limpa. Outro ponto de ressalva é que os dados dos data centers precisam ser processados majoritariamente no Brasil. Neste caso, Gomes aponta que a capacidade atual do mercado não consegue absorver essa demanda de imediato, algo que pode criar um empecilho para o setor: “Será que vamos deixar de ser um hub, de trazer essa infraestrutura, porque não temos capacidade hoje?”, questionou o especialista em energia. Melhor, não Para Vitor Caram, diretor de expansão da Odata na América Latina, o ideal é aprovar logo o texto para dar segurança ao setor. O executivo rechaça a possibilidade de ajustes, pois o mercado precisa de uma definição rápida, mesmo que o projeto de lei não seja perfeito. Caram lembra que a constante prorrogação do Redata resultou em projetos bilionários de hyperscalers globais que ficaram em espera. Além disso, há o risco de o Brasil perder a janela de investimento, pois a falta de definição pode levar o investimento para outros países. Chile, México e países da Ásia podem preencher esse espaço por serem mercados mais previsíveis. Apesar dos riscos, o diretor de expansão afirmou que o Brasil segue como o país favorito pelos players do setor de data centers, pois tem benefícios claros, como um setor de energia elétrico maduro e conectividade ampla. Imagem principal: Marcela Martins (no telão), diretora de gestão energética da Ascenty (divulgação: Lefosse)