Jeep em 10 anos: como a marca ganhou e perdeu mercado no período
31 Aug, 2026
Em 2015, a então FCA inaugurou a fábrica de Goiana (PE) para produzir, inicialmente, modelos da Jeep. Com isso, a marca até então conhecida por modelos importados, mais caros e bem segmentados, entraria na briga pelo volume de mercado no Brasil, uma virada bastante ambiciosa. E isso começou com o Renegade, um SUV compacto que logo caiu no gosto do brasileiro. No mesmo ano, apenas com o seu novo carro, a Jeep já apareceu em 10a entre as montadoras no Brasil, com 47.791 unidades em um mercado de 2.476.823, o primeiro ano em que não chegamos a 3 milhões de unidades em nosso mercado. Seu 1,69% de participação parecia pouco, mas para quem pouco tinha, isso já foi motivo de festa e celebração, além da chegada de novos nomes em seguida. Até 2021, tudo estava bem Em setembro de 2016, chega o Compass, SUV médio com uma proposta diferente do Renegade, mas com quem divida a plataforma e alguns componentes, como o motor 2.0 turbodiesel. Enquanto o mercado geral retraiu para ainda mais para 1.986.302 unidades no ano, a Jeep foi a 59.042 unidades emplacadas, mantendo a 10a posição, mas com 2,97% de participação, quase o dobro do ano anterior. Em 2017, ano em que vimos apenas 2.172.235 unidades emplacadas em um mercado complicado, a Jeep celebrou mais um crescimento, principalmente pelo Compass, com 88.185 unidades e 4,06% de participação, subindo uma posição no ranking. Para 2018, mais um ano para a Jeep celebrar, com 106.945 unidades, 4,33% de participação, outro crescimento e acima das 100 mil unidades pela primeira vez. O mesmo se repete em 2019, com um mercado de 2.658.923 emplacamentos e a Jeep respondendo por 129.462 unidades, ou 4,87% de participação e mais uma subida para a 8a posição entre as montadoras. Já no primeiro ano da pandemia, 2020, o mercado todo sente problemas de produção, vai a 1.950.889 unidades, e a Jeep é uma das prejudicadas, com sua primeira queda, de 110.159 unidades, mas a participação de 5,65% e ainda na 8a posição. O pico vem em 2021, com o Compass recebendo o novo motor 1.3 turbo e levando os compradores para os concessionários em busca da novidade e a chegada do Commander, o primeiro 7-lugares nacional da marca. Mesmo com o mercado sentindo novamente a crise e emplacando abaixo das 2 milhões de unidades, a Jeep celebrou seu recorde até aqui: 148.763 emplacamentos, 7,53% de mercado e a 6a mais vendida entre as montadoras. Os novos concorrentes chegaram com a mira apontada O ano seguinte foi mais um de queda para a Jeep, principalmente do Renegade diante de concorrentes como o Chevrolet Tracker e Hyundai Creta. Em mais um ano abaixo de 2 milhões de unidades emplacadas, a Jeep também perde, com 137.540 unidades e 7,03%, mantendo a 6a posição nas montadoras. O Renegade recebeu o 1.3 turbo, mesmo assim não deu para recuperar. Em 2023, o cenário segue complicado para a Jeep. Chegam BYD e GWM que, mesmo sem um grande volume nas lojas, já se colocavam no ranking entre as 21 mais vendidas em um mercado que voltava a passar 2 milhões de unidades, mas a Jeep viu outra queda, com 126.957 unidades, 5,85% de participação e ainda o 6o lugar. Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com Para 2024, o mercado voltou a registrar quase 2,5 milhões de unidades e a Jeep viu mais uma queda, com 121.287 unidades emplacadas e volta a 7a posição. A BYD se aproxima com o Song Plus, assim como a GWM com o Haval H6, uma dupla híbrida e maior que o Compass na mesma faixa de preço. Em 2025, o ano fecha com 4,87% de participação para a Jeep, ou 124.112 unidades emplacadas, uma leve melhora com algumas mudanças feitas no catálogo sobre versões. Logo abaixo, a BYD já aparece com 112.814 unidades, reflexo da estratégia de preços e eletrificação justamente na faixa dos R$ 200 mil, onde a Jeep praticamente reinava com Compass e Commander. Ano Total mercado Jeep 2015 2.476.823 41.791 (1,69%, 10a) 2016 1.986.302 59.042 (2,97%, 10a) 2017 2.172.235 88.185 (4.06%, 9a) 2018 2.470.653 106.945 (4,33%, 9a) 2019 2.658.923 129.462 (4,87%, 8a) 2020 1.950.889 110.159 (5,65%, 8a) 2021 1.974.431 148.763 (7,53%, 6a) 2022 1.957.699 137.540 (7,03%, 6a) 2023 2.179.356 126.957 (5,83%, 6a) 2024 2.484.740 121.287 (4,88%, 7a) 2025 2.549.462 124.112 (4,87%, 7a) Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com E em 2026? Até julho, o Brasil emplacou 1.624.740 unidades, 19,3% a mais que o mesmo período acumulado em 2025. A Jeep responde por 65.540 emplacamentos, ou 4,03% de participação, número estável comparado as 65.517 unidades do mesmo período de 2025, com 4,81%. Mas isso não significa que tudo será igual. É justamente a chegada do Avenger que deve aumentar essa participação da Jeep no restante de 2026. Temos cinco meses pela frente para a marca subir da atual 8a posição e tanto não ser ultrapassada pela Honda e suas atuais 63.350 unidades e poder ultrapassar a Renault, com 74.499 emplacamentos. Tudo está nas mãos do Avenger e, um pouco, na espera pelo Compass MHEV. Veja também Teste Jeep Avenger Longitude: versão intermediária se destaca e mostra a nova receita da marca Teste rápido: Jeep Commander MHEV 2027 se eletrifica pela concorrência chinesa Teste: Novo Jeep Renegade 2027 híbrido melhora onde devia, mas eletrificação não faz milagres Teste Jeep Commander Overland 2.2 diesel 2026: entre tantos híbridos, vale a pena?